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Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi”.
(Tomasi di Lampedusa – Il Gattopardo, 1957)

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Gênese

BH, 1966. Walfrido dos Mares Guia abre o cursinho pré-vestibular Pitágoras, que crescerá junto com seu fundador. Na década de 90, o Pitágoras será uma multinacional da Educação; Mares Guia, vice-governador de Minas Gerais.

Em 2002, já deputado federal, Mares Guia assume a campanha de Ciro Gomes à presidência da República. Ao fim da eleição, vira ministro do candidato vencedor, Lula. Durante o governo petista, o Pitágoras abre capital na Bolsa de Valores sob o nome Kroton Educacional, recebendo investimentos do megafundo Advent International, de P.P. Etlin.

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Ao Advent se juntarão outros gigantes da finança mundial: JP Morgan e Blackrock.

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Assessorada por Itaú e BTG Pactual, fundado por Paulo Guedes, a Kroton compra concorrentes e torna-se o maior grupo privado de Educação no país. Em apenas 5 anos, impulsionada por programas como Fies e Prouni, acumula lucro de 22.000%.

Em outra frente, o endividado Grupo Abril vende seu segmento de Educação ao fundo Tarpon em 2015. Associado ao Constellation de Jorge P. Lemann, o Tarpon passa a ser também proprietário da Saraiva. Surge o Somos Educação, comandado por Eduardo Mufarej.

Abril de 2018. O Grupo Kroton compra o Somos Educação. O cursinho da década de 60 é agora o maior conglomerado de ensino particular do mundo, administrando Saraiva, Scipione, Ática, Anglo, Bahema, Sigma.

Planejamento

Economia e Política são indissolúveis. Lemann quer formar líderes para o futuro, que possam “transformar o país atuando na política“. Para tal, banca a Fundação Lemann, célula-mãe da RAPS e do Lemann Fellowship, criado para mandar a Harvard “gente que, de volta ao Brasil, trabalhará, em sua maioria, em qualquer esfera do governo“. Abriga ainda o movimento Acredito, onde os jovens líderes têm predileção por Ciro Gomes.

Mufarej também acredita. Seu RenovaBr quer produzir políticos com “capacidade de liderar e mobilizar“. Quase emplacaram Luciano Huck, financiador do movimento, candidato a presidente em 2018. Huck era apoiado também por Lemann e Paulo Guedes. A candidatura não vingou, mas o Renova conseguiu eleger um grupo “afinado com a pauta econômica do governo“.

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Entre os afinados, a jovem Tabata Amaral, expressão perfeita das novas lideranças, produto de RAPS, Acredito e RenovaBr. Etlin e a Advent se limitam ao suporte financeiro.

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Apadrinhada por Ciro Gomes, turbinada pela mídia e apoiada pelo progressismo ingênuo, terá à disposição todas as lentes do país quando atacar um desavisado ministro da Educação que queria investigar os programas estudantis da Era Petista. O anúncio da investigação é um desastre para Kroton e cia.

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A nova liderança entra em ação. O ministro cai. A bolsa de valores volta à paz, os megafundos podem sorrir. Mídias de variadas orientações políticas avisam: há esperança.

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A eterna desilusão

A ilusão progressista morre neste agosto, quando Tabata vota pela aprovação da reforma de uma Previdência tornada deficitária pelo núcleo de forças que a pariu. Itaú, Pactual, JP Morgan e demais fundos de investimento são credores da dívida brasileira, o ralo do qual não se fala. Menos grana para aposentados, mais superávit primário, mais clientes na carteira.

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A jovem liderança faz parte do poder invisível. Uma das fundações de Lemann, a Estudar, hospedou o site Vem pra Rua, maestro das marchas de 2013. Seu líder, Rogério Chequer, atua com Mufarej no Ranking dos Políticos, dedicado à publicidade de congressistas alinhados ao grupo. O Blackrock é proprietário da Netflix, braço ideológico do golpe de 2016.

Tabata cumpriu seu papel no jogo. A roda gira.

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O progressismo ingênuo terá que depositar sua fé em outros rostos. Pode ser Glenn Greenwald, cujo portal ainda tenta preservar a imagem da deputada. Talvez porque o proprietário do Intercept seja também sócio de Lemann. Não importa. Sempre haverá mercado para a esperança.

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“A venda de participação da Petrobrás apenas tende a aumentar a tarifa de transporte a partir dos custos, e margens de lucro, dos compradores com atuação desintegrada. Para a estatal, os gasodutos já estavam amortizados, ou mais próximos da amortização. Os compradores terão que recuperar seus custos de capital na compra das participações da Petrobrás e esses custos serão repassados para as tarifas”.
(Abertura do Mercado e Preço de Gás Natural no Brasil – Associação dos Engenheiros da Petrobras, junho de 2019)

As primeiras reservas de gás natural documentadas são persas. 2 mil antes de Cristo. Chineses, gregos, hindus e colonos na América do Norte também adotaram-no como combustível. Em 1885, Robert Bunsen domou o gás ao criar o bico, possibilitando seu uso industrial.

Hoje, o gás responde por 25% da matriz energética mundial. É mais limpo em relação às principais fontes, petróleo e carvão. No Brasil, é só 10% da oferta energética. As reservas encontradas no pré-sal possibilitariam triplicar esse percentual.

O país precisa de gás, não só como fonte mais limpa, mas para produzir fertilizantes, fundamentais numa economia dependente da agricultura. Se não controla essa cadeia, precisa importar. Em 2018, fertilizantes foram o principal item nas importações de químicos: 65% do total – U$ 7,6 bilhões.

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Desde 2003, governos petistas adotaram políticas para coordenar extração, transporte e distribuição do gás, construir e ampliar a rede de gasodutos. De 2009 e 2017, a produção nacional saltou de 31,2 milhões de metros cúbicos por dia (MMc/dia) para 58,5 MMc/dia.

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Com as operações que culminaram no golpe de 2016, a Petrobras começou a abrir mão de participar dessa cadeia. Ainda no governo Dilma Rousseff, a Gaspetro foi vendida, sem holofotes, à Mitsui. Depois, as privatizações levadas a cabo por Michel Temer e Jair Bolsonaro continuaram reduzindo o papel do Estado.

Até 2015, os preços no mercado interno eram mais baixos.

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A venda dos ativos, combinada à subordinação aos acionistas e concorrentes, provoca uma disparada.

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A Escurial embarcou no otimismo desenvolvimentista da Era Petista. Estava instalada no terceiro maior produtor de gás da federação, com reservas ainda maiores, a serem anunciadas no curto prazo.

Da indústria local: “nos últimos anos, o preço da energia serviu de força contrária à expansão da indústria e da economia brasileira, dado que ele tem forte impacto sobre o custo operacional da empresa e sobre a produtividade”.

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O golpe quebrou a Escurial. A reação foi ínfima e infrutífera. Dívidas com a Mitsui e 600 demissões. Sadi Gitz ficou sem horizonte. O Brasil também.

 

“O sujeito fica abobado quando se depara com uma conspiração tão monstruosa, que não consegue acreditar que ela existiu”. J. Edgar Hoover – Elks Magazine, 1956.

Berlim, 1933
Parlamento alemão incendiado. Acusado pela justiça: Marius van der Lubbe, holandês membro do Partido Comunista. Julgado, foi condenado à morte. Hitler usou o incêndio para editar decreto “pela Proteção do Povo e do Estado (…) contra os atos de violência dos comunistas”, suspendendo liberdades individuais e civis.
Doze anos depois, durante o julgamento de Nuremberg, o general Franz Halder recordou Goering: “A única pessoa que sabe o que realmente se passou no Reichstag sou eu, pois coloquei fogo lá”. Ainda em Nuremberg, peritos mostraram que o fogo fora ateado com considerável quantidade de gasolina e substâncias químicas. Um homem só não poderia tê-lo iniciado.

Rio, 1937
O Exército comunica a descoberta de um plano para derrubar Getúlio Vargas. Documentos apreendidos pelos militares continham estratégias para cooptar operários e estudantes, libertar presos políticos, queimar casas e prédios públicos, assassinar autoridades civis e militares que se opusessem ao golpe. Decreta-se Estado de Guerra, suspende-se direitos constitucionais. Conspiradores são presos.
Oito anos depois, sem conseguir sustentar a versão do golpe, o general Góes Monteiro confessou: tal plano era de autoria militar, escrito pelo capitão Olímpio Mourão Filho, por determinação de Plínio Salgado.

Katyn, 1940
O governo soviético informa a morte de 22 mil poloneses, entre militares e civis, executados na floresta de Katyn, Rússia, pelo exército alemão. No ano seguinte, Josif Stalin declararia guerra ao Reich.
Em 1991, a Federação Russa apresentou documentos da polícia secreta soviética: os assassinatos foram decididos e executados pelo politburo de Stalin.

Europa, 1946
Tentando escapar do holocausto europeu, judeus lotam navios rumo à Palestina. As embarcações são bombardeadas. Os ataques são atribuídos a um grupo terrorista chamado ‘Defensores da Palestina Árabe’. Em 2010, o historiador Andrew Roberts publica MI6: The History of the Secret Intelligence Service 1909-1949. Nele, documentos do serviço secreto britânico detalham o planejamento dos ataques pelo Reino Unido. Os ‘Defensores da Palestina’ nunca existiram.

Guatemala, anos 40
Epidemia de sífilis na Guatemala de Juan José Arévalo, autor de reformas no país. Entre elas, a agrária. Em 2010, documentos encontrados na Universidade de Wellesley mostram que os vírus foram transmitidos por médicos do governo norte-americano, por inoculação direta ou usando prostitutas infectadas.

Golfo de Tonkin, 1964
Após entrar em águas vietnamitas, o destroier norte-americano USS Maddox foi atacado por torpedeiros locais. Escapou sem um arranhão, salvo pela força aérea ianque. Em resposta, os Estados Unidos declararam guerra ao Vietnã, iniciando o bombardeio a Hanoi. O ataque durou 18 anos, matando mais de 1 milhão de vietnamitas.
Mas antes que se declarasse cessar-fogo, Daniel Ellsberg, analista do Pentágono, entregaria aos jornais da casa os Pentagon Papers. Os documentos mostravam que os norte-americanos participavam de ações clandestinas contra o Vietnã desde 1954 e que o ataque ao Maddox não existiu.

Europa, anos 70
Atentados terroristas organizados por comunistas estouram por toda europa ocidental, empurrando os países para os braços da OTAN. Mortes em Milão, Bolonha, Madrid, Brabant, Munique. Em depoimento a um tribunal italiano, o general Gianadelio Maletti, ex-líder da contra-informação, revelou ter descoberto que explosivos usados nos atentados foram fornecidos pela Alemanha a um grupo terrorista italiano de direita, com suporte norte-americano. As operações stay-behind ficaram conhecidas como Gladio.

Estados Unidos da América, 2001
Envelopes contaminados com antraz são enviados a senadores, jornais e emissoras de TV, trazendo ameaças escritas por terroristas islâmicos ao destinatário. Na semana seguinte, o congresso aprovou o Patriot Act, autorizando agências governamentais a monitorar comunicações privadas sem prévia autorização judicial.
Nove anos mais tarde, o FBI admitiu que os envelopes foram enviados por Bruce Ivins, cientista militar a serviço do governo.

Venezuela, 2018
Caminhões transportando ajuda humanitária a venezuelanos famintos foram queimados na fronteira com a Colômbia. A imprensa informa que as forças de segurança leais ao presidente Nicolás Maduro foram responsáveis por incendiar os caminhões. Os EUA anunciam mais sanções contra a Venezuela.

A alimentação do brasileiro tem-se revelado, à luz dos inquéritos sociais realizados, com qualidades nutritivas bem precárias, apresentando, nas diferentes regiões do país, padrões dietéticos mais ou menos incompletos e desarmônicos. Numas regiões, os erros e defeitos são mais graves e vive-se num estado de fome crônica; noutras, são mais discretos e tem-se a subnutrição. Procurando investigar as causas fundamentais dessa alimentação em regra tão defeituosa e que tem pesado tão duramente na evolução econômico-social do povo, chega-se à conclusão de que elas são mais produto de fatores socioculturais do que de fatores de natureza geográfica”.
(Josué de Castro, Geografia da Fome – Recife, 1946)

Era uma vez uma empresa alemã chamada Bayer, que vendia heroína para crianças como remédio contra a tosse e usava cobaias humanas em seus testes. Integrava um conglomerado chamado IG Farben, que inventou um pesticida chamado Zyklon-B, usado para matar prisioneiros nos campos de concentração nazistas. O gás causava “convulsões violentas, que atacavam o cérebro e produziam um ataque cardíaco em questão de segundos“.

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A matança foi coordenada por um cientista chamado Fritz ter Meer, premiado com a diretoria da Bayer em 1956, aposentando-se em 1961 – 11 anos após a queda do regime nazista.

A Bayer é a campeã mundial de patentes transgênicas: milho, soja, batata, tomate, uva. Produz um herbicida chamado glufosinato, e um arroz geneticamente modificado para suportar altas doses desse. Mas o arroz acabou rejeitado na Europa, Ásia e EUA, rendendo à Bayer uma multa de U$ 750 milhões por contaminar plantações nativas.

A Bayer comprou uma empresa norte-americana chamada Monsanto. Esta produzia um veneno chamado Agente Laranja, usado pelos EUA para desfolhar as florestas, destruir as plantações de arroz e envenenar a população do Vietnã, invadido nos anos 60. O veneno causou câncer e malformações em vietnamitas que sobreviveram e nasceram após o ataque.

A Monsanto produz hoje um veneno rotulado Roundup, mas que se chama glifosato. E também um milho imune a esse veneno, o NK 603, que se come no Brasil. Mas a Monsanto está sendo expulsa da Europa. Pesquisas com o NK 603 mostraram que ratos de laboratório alimentados com ele tiveram tumores e patologias no fígado e rins.

A Monsanto também perde mercado na Ásia. Japoneses e coreanos não querem mais o trigo western white, outro resistente ao glifosato.

Era uma vez um país chamado Brasil, maior consumidor mundial de pesticidas,  infestado de congressistas bancados pelo agronegócio, onde a fome sempre foi arma política. É nele que Bayer/Monsanto vêm se abrigar contra um mundo que cada vez lhes é mais hostil. O abrigo se chama Projeto de Lei nº 6299/02.

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Unconvencional warfare: estratégia norte-americana de explorar vulnerabilidades políticas em dado país, por meio do “desenvolvimento e suporte a movimentos de resistência”, visando atingir objetivos estratégicos. “Tão importante quanto a guerra tradicional”, tal modalidade consiste em, entre outras táticas, “separar o inimigo de sua população”, retratando-o como “efetivamente incapaz” de governá-la. A “arte de refrear o poder” em estágio talvez não vislumbrado por Henry Kissinger.

Hillary Clinton a chamará Smart Power, “o leque de ferramentas à nossa disposição – diplomáticas, econômicas, militares, políticas, legais e culturais” para solução de conflitos que o mundo “não pode resolver sem a América”.

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O harvardiano Joseph Nye introduz o termo nas relações internacionais como “a capacidade de combinar Hard e Soft power em uma estratégia vencedora“. Líbia, Honduras e Brasil são exemplos de vitória.

A Nicarágua de Daniel Ortega motivou a explosão do crack, primeiro nos domínios do Tio Sam, depois pelo planeta.

Os norte-americanos conseguiram se livrar de Sandino em 1934, com a ajuda do aliado Anastacio Somoza, “o nosso filho da puta”. Acabaram expulsos em 79, por um levante que levou o nome de Sandino. Tentaram financiar os contrarrevolucionários, o Congresso vetou. Para levantar grana, a Casa Branca, então, passou a traficar armas para o Irã e cocaína para dentro do próprio território, enquanto o casal Reagan declarava guerra às drogas.

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O tráfico, desde sempre financiando os EUA.

O caso só veio à tona em 1988, quando senadores acusaram envolvimento da CIA no tráfico. Dez anos mais tarde, quase explodiu quando o inspetor geral da CIA Frederick Hitz admitiu ao Congresso o envolvimento da agência.

Foi a vez do casal Clinton, como bons bezerros, irem para o sacrifício. O blowjob da estagiária abafa o caso. Smart, Hillary.

2018, mesma Nicarágua, mesmo Ortega. Agora, negociando com chineses um canal transoceânico alternativo ao panamenho, trazendo os russos pra dentro de casa com sua estação de satélite.  A Casa Branca decide pelo sufoco financeiro.

Era da instantaneidade, oposicionistas nicaraguenses posam ao lado de congressistas norte-americanos. Novamente, grana do Tio Sam financiando a revolta, ora via organizações sem fins lucrativos. Grana de onde?

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Cadáver devidamente sepultado, tratemos do espólio. Conforme acordado com José Serra, as petrolíferas gringas ficam com o pré-sal.

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A imprensa que, repetindo a história com a Petrobras, desqualificara o pré-sal, muda de opinião.

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A Exxon, recuperando o investimento feito nas passeatas pró-impeachment, lambe os beiços.

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Grupos como o Ultra-Von Mises também cobram sua parte no butim.

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Os soldados que lideraram as hordas urbanas abandonam o discurso “não temos partido”.

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Mais discreto, Paulo Lemman usa um infliltrado para abocanhar o setor elétrico. Com a palavra, os funcionários da Eletrobras.

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A velha vassalagem é recauchutada. Os grupos de mídia recebem seus trocados. Welcome back, tio Sam.

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EUA, década de 30. Cannabis pra dor, asma, enjoo. Cannabis pra tudo, nas farmácias. Cannabis pra roupa, pra papel.

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Cannabis para fabricar o Ford T, óleo de Cannabis pra fazê-lo andar. Hemp is good.

Cannabis tropical, concorrente dos sintéticos de petróleo. Harry Anslinger surge à frente do Federal Bureau of Narcotics como inimigo nº 1 da erva. Anslinger, casado com a sobrinha de Andrew Mellon, dono da Gulf Oil e um dos principais investidores da igualmente gigante Du Pont.
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Turbinado pela propaganda do império Hearst,  Anslinger emplaca o Marijuana Tax Act. Cana pra Mr. Caldwell. Hemp is no good.

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Afeganistão, século 21. Cavalaria Yankee invade o país para vingar o 11 de setembro. Durante a estadia prolongada, soldados registram o tour pelas plantações locais de maconha, a melhor do planeta.

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Não tarda muito, a Afghan Kush começa a florescer em território norte-americano. More THC to USA.

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O Colorado é o primeiro a legalizar a venda. Em um único mês, o negócio atinge cifras milionárias. Novamente, militares entram no jogo.

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Logo, Washington, California, Alasca, Oregon, Nevada e Florida liberam a diamba. Mexicanos, esqueçam tudo que dissemos. Hemp is good.

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Nos anos 80, a intervenção yankee no Afeganistão tornou o país campeão mundial na produção de ópio. Desta vez, Tio Sam decidiu não terceirizar. Mr. Caldwell se contorce no túmulo.

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“A consciente e inteligente manipulação dos hábitos e das opiniões das massas é um importante elemento na sociedade democrática. Os que manipulam esse mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível, o verdadeiro poder dirigente de nosso país. Nós somos governados, nossas mentes são moldadas, nossos gostos, formados, nossas ideias, sugeridas amplamente por homens dos quais nunca ouvimos falar”.
(Edward Bernays, Propaganda – 1928)

 

“A propaganda deve limitar-se a um pequeno número de ideias e repeti-las incansavelmente. As massas não se lembrarão das ideias mais simples, a menos que sejam repetidas centenas de vezes”.
(Adolf Hitler, Mein Kampf – 1925)

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“O termo genérico é um dispositivo que possibilita a formação de juízo de valor instantâneo, sem questionar a evidência sobre a qual se baseia”.
(Frederick G. Rudge, The seven devices of propaganda that are well worth watching for – 1940)

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“A forma simplificadora mais elementar e rendosa é evidentemente a de concentrar sobre uma única pessoa as esperanças do campo a que pertencemos ou o ódio pelo campo adverso. Os gritos de ‘Viva Fulano!’ ou ‘Abaixo Sicrano!’ pertencem aos primeiros ensaios da propaganda política e forneceram-lhes sempre um bom cabedal para a sua linguagem de massas”.
(Jean Marie Domenach, Propaganda Política – 1950)

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“Na verdade, para arrastar o sentimento, nada substitui a irradiação do apóstolo, a convicção do prosélito, o prestígio do herói (…) As grandes crenças políticas, tal como progrediu o cristianismo, caminham muito através do ‘contágio pelo exemplo’, do contato e da atração pessoal; com efeito, somente assim se implantam profundamente. As massas modernas, deprimidas e incrédulas no tocante a si mesmas, são espontaneamente atraídas por aqueles que lhes parecem possuir o segredo de uma felicidade que delas se afasta”.
(Jean Marie Domenach, Propaganda Política – 1950)

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“Pouco aptas ao raciocínio, as multidões mostram-se, ao contrário, muito aptas à ação. A atual organização torna a força delas imensa. Os dogmas que vemos nascer rapidamente adquirirão o poder dos velhos dogmas, isto é, a força tirânica e soberana que descarta qualquer discussão”.
(Gustave Le Bon, Psicologia das Multidões – 1895)

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“Sem alguma forma de censura, propaganda no sentido estrito da palavra é impossível. Para conduzir a propaganda deve haver alguma barreira entre o público e o evento. Acesso ao ambiente real precisa ser limitado, antes que alguém crie um pseudoambiente que imagine se mais adequado ou desejável”.
(Walter Lippmann, Opinião Pública – 1922)

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“A característica do momento é que a alma vulgar, sabendo que é vulgar, tem a coragem de afirmar o direito da vulgaridade e o impõe em toda parte”.
(Ortega y Gasset, A Rebelião das Massas – 1926)

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“Não há um único poder: ele não é apenas financeiro, mas sim econômico-financeiro e midiático. Se esses poderes não existissem juntos, não funcionariam, pois não basta vencer, é preciso convencer. A vitória neoliberal não seria completa se o vencido não estivesse convicto, não estivesse feliz de ter sido vencido. Ele não deve nem mesmo perceber que foi vencido, deve pensar que está participando da vitória de seu adversário, não percebendo a si mesmo como vítima. No geral, a missão dos meios de comunicação é a de domesticar as sociedades”.
(Dênis de Moraes, Ignacio Ramonet e Pascual Serrano, Mídia, Poder e Contrapoder – 2013)

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If I’ve seen further than others, it’s by standing upon the shoulders of giants‘. (Newton)

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Havia mais estradas a percorrer. Mais histórias a se contar, mais gargalhadas que daríamos. Gargalhadas da sociedade ridícula em que vivemos, de nós mesmos. Coisas das quais nos lembraríamos em nossa velhice, distorcendo detalhes, já no fim de alguma dessas estradas.

Mas você escolheu não envelhecer. Se é que foi escolha. Foda-se. O que quer que tenha sido, foi sua. Respeito. Cabe-me agora recolher e carregar, sozinho, essa bagagem abarrotada de planos, mesmo sabendo que a maioria deles jamais deixaria de ser planos. Foda-se também. A diversão, afinal, era carregá-los, fingir que um dia cruzariam a fronteira da utopia.

Porque alguns deles ficaram pelo caminho, caíram em algum rio, foram levados por alguma ventania. Mas outros frutificaram. Permanecerão comigo por um bom tempo durante a caminhada. Em livros, discos, paisagens, rostos amigos, tudo o que você me proporcionou e que me cerca impiedosamente por todos os cantos de casa. Foi um privilégio partilhar deste lapso de tempo e espaço, um privilégio sem o qual eu seria infinitamente menor.

Por isto, uma parte de mim também morre. Um mapa a menos. Terei que dar meia volta e olhar pra trás todas as vezes em que me sentir perdido. Mas é preciso seguir caminhando. Afinal, aprendemos, para isto servem as utopias.

 

Não é só perseguição ao PT, não é só o pré-sal. Periferia é periferia.

No fim dos 90, os EUA consolidam a Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), emendada e remendada para criminalizar suborno envolvendo companhias estadunidenses ou estrangeiras operando em solo ianque.

Mas num mercado globalizado, regras comuns a todos, como concorrer com empresas pós-graduadas em propina, como os conglomerados brasileiros?

A aurora do novo século revela um Brasil infiltrando-se nesse mercadão via megaempreiteiras, BNDES, Petrobras – esta última representando quase 15% do PIB nacional. E, historicamente, leis brasileiras jamais impediram a corrupção de florescer em nossos jardins. Obama nos vê como ameaça. É preciso chamar o Brasil na chincha.

Fomos, então, integrados à Cooperação Internacional – organização mundial de procuradores e polícias para combate ao crime organizado. Encabeçada pela Casa Branca, pois.

Conscientes ou não, os governos petistas aderiram à estratégia gringa, viabilizando lei anticorrupção própria, a primeira exclusivamente voltada ao tema.

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Enquanto Dilma assinava os papéis, a inteligência ianque buscava falhas em nossa cerca.

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Braço do império, a mídia nativa encampa o discurso anticorrupção. O telespectador torna-se jurista. Encabeçados pela Rede Globo, veículos de massa exibem manifestantes nas ruas pela derrubada da PEC 37, a que proibia procuradores de realizar investigações por conta própria. Desfile exótico, teleguiado.

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Colhendo frutos do suporte ideológico, os norte-americanos disponibilizam ao brasileiro um canal específico de caguetagem. O plano funciona.

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A dobradinha com a mídia, tanto quanto o ataque à classe política, integram a estratégia da Lava-jato. Assim aponta o juiz Sergio Moro no artigo Considerações sobre a Operação Mani Pulite – revista CEJ, nº 26, julho/setembro de 2004). Moro, treinado pelo Departamento de Estado Americano, adota a operação Mãos Limpas na Itália como norte, assinalando que a deslegitimação da classe política “foi essencial para a própria continuidade da operação mani pulite” (p.57), e que “a punição judicial de agentes públicos corruptos é sempre difícil, se não por outros motivos, então pela carga de prova exigida para alcançar a condenação em processo criminal. Nessa perspectiva, a opinião pública pode constituir um salutar substitutivo, tendo condições melhores de impor alguma espécie de punição a agentes públicos corruptos” (p.61). A mani pulite resultou em Berlusconi.

Após Collor, Demóstenes, Barbosa, Ishii, a imprensa tem novo herói, enterrando o longínquo caso Banestado, investigado pelo próprio Moro.

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Mas além do magistrado, a Lava-jato traz de volta à luz outra figurinha carimbada: Alberto Youseff, doleiro-operador do esquema Banestado. Absolvido por Moro pós acordo de delação, permaneceu como coringa na manga do sistema. Era parte do plano que ele voltasse a delinquir.

No artigo, Moro cita um sine qua non da operação Mãos Limpas: “a integração europeia, que abriu os mercados italianos a empresas de outros países europeus, elevando os receios de que os italianos não poderiam, com os custos da corrupção, competir em igualdade de condições com seus novos concorrentes” (p.57). Eis o cerne. A Lava-jato é uma das jogadas globais do império norte-americano para salvar sua economia em débâcle, montando um aparato jurídico-midiático para romper o cerco brasileiro ao redor do lucrativo setor de infraestrutura, matar uma indústria armamentista em gestação. A operação põe as empresas à mercê das cortes estadunidenses, abrindo aos gringos um mercado bilionário, dentro e fora do Brasil, antes dominado por conglomerados brasileiros via suborno.

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O golpe na economia nacional e o desgaste da classe política mergulham o país numa ingovernabilidade que reverbera nos parceiros de Mercosul, de BRICS. O caos traz de volta ao planalto velhos aliados do império. A roda da história dá novo giro. Os ventos do norte movem, sim, moinhos. E balançam a forca.