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Monthly Archives: junho 2010

Triste epílogo para um partido que nasceu como esperança. Hoje, engendra para sufocar a capacidade de mobilização de forças sociais que o conduziram ao poder, fato refletido na intervenção no diretório do Maranhão, que apoiava a candidatura do deputado Flávio Dino (PCdoB) contra o clã Sarney. A serpente devora a si própria.

Lá se vão projetos acalentados por duas décadas. Optou-se por governar discursando ao povo, administrando para a elite. Por nos incutir a ideia de que seremos potência mundial vendendo matéria-prima.

O pragmatismo substituiu o marxismo. O Estado segue como garantidor de lucros, ao invés de promotor do desenvolvimento. Capitalismo da exclusão, nas palavras de Chico de Oliveira. E políticas que pareciam sociais revelaram-se perpetuadoras/cooptadoras da pobreza.

Chico Mendes se contorce no túmulo. Fatiou-se a Amazônia, legalizou-se dezenas de milhões de hectares em posse de grileiros. Um prêmio a quem desmatou. Liberou-se os transgênicos, na contramão dos países sérios. Face à crise financeira, reduziu-se o IPI para a produção de carros sem a contrapartida da melhora na qualidade do combustível.

O governo termina deixando-nos entre os últimos no quesito investimento por aluno, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Esta é uma herança maldita.

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Jeffrey Kaplan, para a Orion Magazine.
(http://www.orionmagazine.org/index.php/articles/article/2962/)

James J. Davis, secretário do Trabalho dos EUA, em 1927: “a indústria têxtil do país pode produzir em 6 meses toda a roupa necessária aos norteamericanos para 1 ano” e 14% das fábricas de calçados podem produzir todos os sapatos necessários (entrevista à revista Nation’s Business). A publicação segue, tomando como base 1927: “toda a necessidade mundial pode ser suprida com três dias de trabalho por semana”.

John Edgerton, presidente da Associação Norteamericana de Fabricantes: “Sou contra tudo que possa reduzir a importância do trabalho. A ênfase deve ser posta no trabalho – mais trabalho e trabalho melhor. Nada alimenta mais o radicalismo do que o ócio”.

Charles Kettering, diretor da General Motors Research, em 1929: necessidade de mudança estratégica na indústria: preencher necessidades humanas básicas para criar novas necessidades (artigo Keep the Consumer Dissatisfied).

Em 2005, a despesa residencial per capita já era 12 vezes maior do que em 1929. A despesa com bens duráveis, 32 vezes maior. Em 2000, o casal médio com filhos trabalhava quase 500 horas a mais por ano do que em 1979.

Pobres levados para longe dos holofotes voltados à Copa. Na Cidade do Cabo, o governo sulafricano os escondeu num acampamento a 45 km do centro, varrendo-os das imediações do Green Point Stadium – hoje área de exclusão delimitada pela Fifa.

Famílias vivem isoladas em pequenos contêineres, numa área cercada por grades, de onde não podem sair à noite.

A mudança começou em 2008, três anos depois do curta-metragem Alive in Joburg (http://www.youtube.com/watch?v=iNReejO7Zu8), de Neill Blomkamp. Alive virou District 9, longa. Impressionantes as semelhanças entre o acampamento em Cape Town e a favela dos aliens nos filmes.

Ou Blomkamp é visionário ou os governantes sulafricanos copiaram a ideia dele.

Madrugada de 31 de maio de 2010. Israel ataca navios de ajuda humanitária à Faixa de Gaza e mata uma dezena de pessoas a bordo. Em águas internacionais.

Faz parte da rotina israelense ignorar as leis, matar civis. Desde que foi fincado no coração da Palestina, em 1948, o Estado de Israel viola resoluções da ONU. Mas agora, o mundo ocidental, hipócrita, se manifesta: as vítimas eram de maioria turca, e não os descartáveis libaneses ou outro povo árabe qualquer. Contudo, a mídia titubeia nas críticas. Como censurar um genocídio baseado nos desígnios do deus que rege esse mesmo mundo ocidental?

Está na Bíblia. Por volta de 1.800 A.C., Javé avisa a Abraão, primeiro grande líder hebreu, quem seria o dono de Canaã, atual Palestina: “Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e à tua descendência, para sempre (Gênesis 13:15)”.

Abraão casa-se, tem um filho chamado Isaque, que tem um filho chamado Jacó. Conforme as sagradas escrituras, Jacó bateu num anjo, e Deus o rebatizou Israel. Ele teve 12 filhos, que dão origem às tribos formadoras do povo judeu.

Do outro lado, o irmão gêmeo de Israel, Esaú. Este, porém, tem direito a nada. Diz o Senhor a Rebeca, mulher de Abraão, ainda durante a gestação: “Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o mais velho servirá ao mais moço (Gênesis 25:23)”. Explica-se: Esaú foi o primeiro a sair do ventre da mãe. É o patriarca dos povos árabes.

Palavras do Senhor: “E a casa de Jacó será um fogo, e a casa de José uma chama, e a casa de Esaú restolho; aqueles se acenderão contra estes, e os consumirão; e ninguém mais restará da casa de Esaú; porque o Senhor o disse (Obadias 1:18)”. O referido José é um dos filhos de Jacó.

Esta é a fé judia, precursora da civilização ocidental, uma vez que católicos e evangélicos seguem o mesmo deus – embora não tenham a menor ideia do significado de seu plano divino: os judeus são o povo escolhido.

Quem acredita, está salvo. Quem se opõe, morre. É esta a mensagem que Israel envia ao matar os ativistas que tentavam chegar a Gaza. Mas num mundo temente a Deus, como confrontá-los?

“Assim como lavamos o corpo deveríamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa. Não para salvar a vida, como comemos e dormimos, mas por aquele respeito alheio por nós mesmos, a que propriamente chamamos asseio”.

Fernando Pessoa