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Monthly Archives: setembro 2010

Finalmente, compreendo o sentido da arte em sua plenitude.

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A primeira vez como tragédia, a segunda, como farsa.

Sem projeto nem candidato, os herdeiros da UDN lançam em SP o “Manifesto em Defesa da Democracia“. Uma tentativa de reeditar a Marcha Com a Família, Por Deus e pela Liberdade. Mas eram só 250, ao que consta. Menos impactante que o igualmente “apartidário” Cansei, de 2007.

Talvez, desta feita, tenha faltado ao protesto o brilho de uma Hebe Camargo, de uma Ivete Sangalo. Novamente, o staff de José Serra peca no marketing.

Testemunha-se o ensaio para um golpe. Repetindo 1964, a imprensa alia-se aos insurgentes, buscando assumir posição de liderança, “já que a oposição está profundamente fragilizada”, como observado pela presidente da Associação Nacional de Jornais e executiva da Folha de S. Paulo, Maria Judith Brito.

Embora com algumas afirmativas difusas, a síntese do manifesto é: “É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo”. Um sem fim de balelas. Ei-las.

“Hoje, no Brasil, inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático”. (?) 

“É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle”. Beleza. E qual presidente, no pós-ditadura, não agiu assim? Qual governador? Qual prefeito?

“É constrangedor também que ele (Lula) não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo”. É constrangedor que essa galera não tenha cobrado decoro do senador Arthur Virgílio (“Eu daria uma surra no Lula, eu pessoalmente (sic), a surra pessoal (sic) no vagabundo”), nem do deputado ACM Neto (“O senhor não vai dar uma surra sozinho, não), nem do então presidente do PFL, Jorge Bornhausen (“A gente vai se ver livre desta raça, por, pelo menos, 30 anos”).

No meio da praça, a corda da forca balança ao sabor do vento.

A imprensa brasileira está podre. Os grandes jornais, as coisas que são consideradas grande imprensa no Brasil como Folha de S. Paulo, Globo, Estadão, Jornal Nacional, Veja, para mim são piadas. Todos esses que eu citei tem ódio do Lula, é um ódio doentio, é uma coisa que me dá medo. Outro dia peguei o Estadão e tinha oito chamadas na capa falando mal do governo, algumas coisas que ocorreram há sete anos. Meu filho casou-se agora com uma repórter da editoria de política do Estadão, e o Serra ligou pra ela antes do casamento. “Julia, eu soube que você vai se casar, mas você não vai ter lua de mel, né? Você não pode ter lua de mel agora”. Por aí você vê como Serra está dentro do jornal.

Mario Prata, em entrevista ao Diário de Natal de 6/9/2010