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A primeira vez como tragédia, a segunda, como farsa.

Sem projeto nem candidato, os herdeiros da UDN lançam em SP o “Manifesto em Defesa da Democracia“. Uma tentativa de reeditar a Marcha Com a Família, Por Deus e pela Liberdade. Mas eram só 250, ao que consta. Menos impactante que o igualmente “apartidário” Cansei, de 2007.

Talvez, desta feita, tenha faltado ao protesto o brilho de uma Hebe Camargo, de uma Ivete Sangalo. Novamente, o staff de José Serra peca no marketing.

Testemunha-se o ensaio para um golpe. Repetindo 1964, a imprensa alia-se aos insurgentes, buscando assumir posição de liderança, “já que a oposição está profundamente fragilizada”, como observado pela presidente da Associação Nacional de Jornais e executiva da Folha de S. Paulo, Maria Judith Brito.

Embora com algumas afirmativas difusas, a síntese do manifesto é: “É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo”. Um sem fim de balelas. Ei-las.

“Hoje, no Brasil, inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático”. (?) 

“É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle”. Beleza. E qual presidente, no pós-ditadura, não agiu assim? Qual governador? Qual prefeito?

“É constrangedor também que ele (Lula) não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo”. É constrangedor que essa galera não tenha cobrado decoro do senador Arthur Virgílio (“Eu daria uma surra no Lula, eu pessoalmente (sic), a surra pessoal (sic) no vagabundo”), nem do deputado ACM Neto (“O senhor não vai dar uma surra sozinho, não), nem do então presidente do PFL, Jorge Bornhausen (“A gente vai se ver livre desta raça, por, pelo menos, 30 anos”).

No meio da praça, a corda da forca balança ao sabor do vento.

2 Comments

  1. Impressionante, os abutres vivem à espreita! Passam-se anos, décadas e o discurso se repete.

  2. Nando: como não preciso dizer mais nada além do que você mostrou, só me resta registrar que, entre as 4.609 pessoas que, até as 9h20 de hoje (23/9), assinavam a lista da Marcha Com a Família, por Deus e… Opa, quer dizer, o Manifesto em Defesa da Democracia, constavam cidadãos como Askjfdolsafdm (signatário número 357), Camuflados (423) e Detesto Pobre (663).


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