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Monthly Archives: outubro 2010

Psicologia das Massas do Fascismo
(Wilhelm Reich, Alemanha, 1933)

Um aborto entre nós e nosso futuro próspero.

O Fascismo é, ideologicamente, a resistência de uma sociedade sexual e economicamente agonizante, às tendências do pensamento revolucionário para a liberdade tanto sexual como econômica“. (Pág. 56)

Pesquisando as razões da ascensão do nazi-fascismo, Reich descobriu: o povo não foi enganado; desejou, em seu íntimo, aquele regime, que reproduzia a moral repressora da família patriarcal, autoritária.

A repressão sexual na infância, imposta pela religião, anula os impulsos do domínio do consciente, fixando-se em nós, desde cedo, como defesa moral. Daí nossa condição de cordeiros, do nosso conservadorismo inconsciente (?).

A inibição moral da sexualidade natural da infância, cuja última etapa é o grande dano da sexualidade genital da criança, torna essa criança medrosa, tímida, submissa, obediente, boa e dócil, no sentido autoritário das palavras (…) porque qualquer impulso vital é associado ao medo, e como o sexo é um assunto proibido, há uma paralisação geral do pensamento e do espírito crítico“. (Pág. 28)

O objetivo da moralidade é a criação do indivíduo submisso que se adapta à ordem autoritária, apesar do sofrimento e da humilhação“. (Pág. 29)

E quando este processo impede a sexualidade de atingir a satisfação normal, o indivíduo recorre aos mais variados tipos de satisfações substitutas. Consumo desenfreado, supervalorização do trabalho, devoção militar. O soldado vê, insconscientemente, no comandante, a figura paterna que o reprimia, mas que não podia confrontar. Temor a Deus.

O empregado começa por desejar a assemelhar-se a seu superior, até que, gradualmente, a constante dependência material acaba transformando a sua pessoa, de acordo com a sua classe dominante (…) o indivíduo da classe média acaba criando uma clivagem entre a sua situação econômica e a sua ideologia“. (Pág. 45)

Repressão aos impulsos, repressão ao intelecto, imbecilização coletiva. Brasil, 2010.

O povo, na sua esmagadora maioria, tem natureza e atitude tão femininas que os pensamentos e ações são determinados muito mais pela emoção e sentimento do que pelo raciocínio (…) há sempre um positivo e um negativo, amor ou ódio, certo ou errado, verdade ou mentira, e nunca situações intermediárias ou parciais“. (Pág. 50)

Vendam tudo, destruam o país se lhes aprouver. Mas não confrontem meus dogmas.

As inibições e fraquezas sexuais, que se constituem nos pré-requisitos fundamentais para a existência da família autoritária e são o princípio essencial da formação estrutural da classe média, são mantidas por meio do temor religioso“. (Pág. 51)

Amém.

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Dima assiste a missa, mas não comunga

O corrente embate eleitoral revela a nação fundamentalista que somos. Havia, até então, uma tênue percepção de evolução política. O eleitorado majoritário estaria supostamente disposto a enterrar o projeto neoliberal em sua face mais voraz, onde figuram PSDB e DEM. Uma comparação óbvia dos governos consagraria o modelo menos nocivo, de Lula.

Engano. Subestimou-se a religião, inerente ao homem desde os primórdios. Sobreviveu ao Iluminismo, ao Nazismo, a todos os avanços científicos, todas as tendências da São Paulo Fashion Week. Não sucumbiria agora, numa indigna disputa presidencial terceiro-mundista.

Perspicazes, os titereiros de sempre, os que aceitam a pedofilia e aplicam exorcismos espetaculares, vislumbraram uma oportunidade de barganha. Ao criar deus para escorar seus medos, o homem o fez à sua imagem e semelhança: violento, tirânico, intolerante. Os titereiros sempre tiveram a medida exata da estupidez, do preconceito e da irracionalidade humana. Sabem bem que o ignaro age baseado em suas emoções, condicionado que foi a abandonar o intelecto.

Fernando Henrique Cardoso, para tornar-se também titereiro, aprendeu pela dor. Na década de 80, teve sua condição de ateu explorada ao máximo pelo adversário Jânio Quadros, na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Foi derrotado e, para conseguir chegar à Presidência anos mais tarde, precisou negar publicamente suas convicções.

Séculos se passaram sem que conseguíssemos deixar as trevas da Idade Média. Moralistas de ocasião, defendemos a vida assim como dirigimos embriagados, compramos drogas ilícitas, DVDs piratas, subornamos policiais, mantemos relacionamentos extraconjugais, mentimos para manter nossos empregos. É com essas credenciais que escolheremos nosso próximo governo. E, tal como o nosso deus, ele terá nossa imagem.