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Dima assiste a missa, mas não comunga

O corrente embate eleitoral revela a nação fundamentalista que somos. Havia, até então, uma tênue percepção de evolução política. O eleitorado majoritário estaria supostamente disposto a enterrar o projeto neoliberal em sua face mais voraz, onde figuram PSDB e DEM. Uma comparação óbvia dos governos consagraria o modelo menos nocivo, de Lula.

Engano. Subestimou-se a religião, inerente ao homem desde os primórdios. Sobreviveu ao Iluminismo, ao Nazismo, a todos os avanços científicos, todas as tendências da São Paulo Fashion Week. Não sucumbiria agora, numa indigna disputa presidencial terceiro-mundista.

Perspicazes, os titereiros de sempre, os que aceitam a pedofilia e aplicam exorcismos espetaculares, vislumbraram uma oportunidade de barganha. Ao criar deus para escorar seus medos, o homem o fez à sua imagem e semelhança: violento, tirânico, intolerante. Os titereiros sempre tiveram a medida exata da estupidez, do preconceito e da irracionalidade humana. Sabem bem que o ignaro age baseado em suas emoções, condicionado que foi a abandonar o intelecto.

Fernando Henrique Cardoso, para tornar-se também titereiro, aprendeu pela dor. Na década de 80, teve sua condição de ateu explorada ao máximo pelo adversário Jânio Quadros, na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Foi derrotado e, para conseguir chegar à Presidência anos mais tarde, precisou negar publicamente suas convicções.

Séculos se passaram sem que conseguíssemos deixar as trevas da Idade Média. Moralistas de ocasião, defendemos a vida assim como dirigimos embriagados, compramos drogas ilícitas, DVDs piratas, subornamos policiais, mantemos relacionamentos extraconjugais, mentimos para manter nossos empregos. É com essas credenciais que escolheremos nosso próximo governo. E, tal como o nosso deus, ele terá nossa imagem.

One Comment

  1. Estou profundamente decepcionado com o nosso País. Com a imprensa, não cheguei a ter surpresas. Com a Igreja, também não. Esqueçam a condenação do neoliberalismo pelo Papa. Esqueçam que Lula se comprometeu junto ao Papa a não propor o aborto. Veja, que não passa de um um partido de papel, escancara na sua última edição que Dilma falou em 2007: é um absurdo a criminalização do aborto,tem que descriminalizar. Ou seja, não condenar judicialmente a mulher que o pratica. Em suma, o perdão. Palavra dita em vão, como percebemos, por muitos dos religiosos. Dante os colocou no lugar certo. Espero nunca ter de pisá-los.


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