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2010 nos ratifica como filial lucrativa do império ocidental. Como seu antecessor, Dilma Rousseff nos manterá sob as rédeas da oligarquia financeira internacional, alimentando os lucros de grandes especuladores, deixando Saúde e Educação à míngua. Como antídoto às insatisfações da plebe, ampliará programas sociais, cooptará sindicatos e movimentos populares. Em caso de ameaça à ordem vigente, lembrará ao eleitor de como era perversa a vida nos tempos de Fernando Henrique Cardoso, como se fosse aquela a única alternativa possível. Era, é um cenário previsível.

Mas 2010 ficará marcado pelo imprevisível: a lembrança chocante da truculenta campanha de José Serra. Incapaz de confrontar o governo petista no campo das ideias, recorreu a uma militância difamatória e sem escrúpulos. Espalhou infâmias a quem pôde, desde fotos adulteradas a previsões de cartomantes sobre a morte da adversária.

Sua candidatura ganhou sobrevida numa onda fundamentalista e no tradicional anti-petismo que caracteriza nossa subelite. Sub porque, hoje, não é determinante para o destino do país. Sub porque, diferentemente dos europeus em que se espelha, não tem a faculdade do livre-pensar e, consequentemente, se enxerga plácida numa ilha cercada de nativos imundos por todos os lados. Nativos ignorantes, responsáveis por seu próprio infortúnio, que agora ousam sair de sua vala para eleger um governo imundo como eles.

Subelite que ainda se comporta como os bandeirantes, símbolo representativo da candidatura Serra. Mestiços bastardos de europeus e índias, passavam a vida renegando a mãe, mesmo que o pai sequer os reconhecesse. Assim permanecem até então: no limbo situado entre o inferno nativo que os cerca e o paraíso branco de onde derivam, mas para o qual não podem voltar, por um motivo simples: lá, são eles os imundos indesejados, obrigados a tirar os sapatos em um aeroporto qualquer.

Porém, à medida que esta força se esvai, surge outra, mais fácil de se identificar e muito, muito mais numerosa. O número de evangélicos, segundo eles próprios, já ultrapassa os 50 milhões e, em uma década, representará quase a metade da população brasileira (esta proporção era de 9% em 1991, e de 15% em 2000, segundo o IBGE).

Ao que tudo indica, a separação entre a Igreja e o Estado logo será um mero princípio do Estado moderno, esquecido na Constituição – como tantos outros que lá estão. Voltaremos aos tempos das inquisições, numa futura fogueira da qual Dilma Rousseff ou outro candidato menos cristão terão ainda menos chances de escapar vivos.

Uma nova ordem se avizinha.

2 Comments

  1. Sobre a campanha de Serra, foi algo quase inacreditável. Mas não tinha como deixar de me lembrar do Ciro Gomes, citado pelo Paulo Henrique Amorim: se preciso, numa campanha, Serra passaria um trator por cima da mãe. Um negócio bem ‘bandeirante’, mesmo. E, quanto aos religiosos, ainda não me parecem a força que aparentam ser. Como se fez com os católicos em 1964, tentou-se transformar os evangélicos em massa de manobra para outro tipo de golpe, mais sofisticado. Mas Serra e sua turma não foram cristãos o suficiente para se lembrar desta frase de Jesus, na Bíblia: “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor! Senhor!’ terá o reino dos céus”. Enquanto isso, vamos suportando o purgatório…

  2. Perfeito. Renegam a mãe, mesmo que o pai não os reconheça. E não podem voltar para o paraíso (que já não é tão paraíso assim)!


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