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Monthly Archives: janeiro 2011

P: É verdadeira a história de uma reunião na casa do então deputado Simões da Cunha, na qual a deputada Ivete Vargas (PTB) teria contado que saíra de um encontro com o general Golbery e este revelou que ia projetar o sindicalista Lula para ser o anti-Brizola?

R: A Ivete Vargas disse que tinha estado com o ministro Golbery, na chácara dele, e que ele dissera que precisava trazer o Brizola para o Brasil porque ele estava se tornando um mito muito forte fora do país. Que era melhor ele voltar e disputar eleição, porque assim perderia o prestígio político. Fui ao Golbery e ele confirmou a conversa com a Ivete. Explicou que sua estratégia era estimular a imprensa para projetar o Luiz Inácio da Silva, o Lula, um grande líder metalúrgico de São Paulo como uma liderança inteligente e expressiva, para ser preparado como o anti-Brizola. Sou testemunha dessa tese do general Golbery”.

Entrevista do ex-deputado Sinval Boaventura ao Jornal Opção, edição de outubro de 1995.

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Antes de poder votar, já acreditava em você. Você representava o sonho juvenil de um país menos desigual, a esperança de uma gente que nunca existiu para si própria. E falhou. Falhamos.

Quando criança, aprendi que éramos o país do futuro. De repente, chegaram aqueles que eu julgava seus inimigos. No poder, eles quase me convenceram de que éramos um povo menor, incapaz, pedinte, que não sobreviveria sem a mão estrangeira.

Esperava que você, um dia, comandasse a guerra contra eles. Mas você passou e não houve guerra. Deixou tudo exatamente como estava. Ainda somos uma colônia fornecedora de matéria-prima, sustentando o gozo das metrópoles e de nosso punhado de famílias ricas e intocáveis. E os coronéis que, pensávamos, você destituiria, tornaram-se seus aliados.

Para acomodar os novos amigos, você se desfez dos antigos. Isolados, taxados de radicais, ficaram falando sozinhos. E agora já não havia, sequer, esperança. A revolta incipiente, reacesa nos anos anteriores à sua vitória, foi sufocada com cargos e esmolas. “Conciliação de classes” social-democrata.

Relembro hoje, distante daquela inocência juvenil, as ideias que me conduziram a você. Não há escolha possível e, portanto, não há possibilidade de revolução dentro das cercas da institucionalidade vigente. Teremos que construir nós mesmos, sabe-se lá com que forças e com que meios, um novo sonho.

Às vezes penso que você sempre foi um plano B. Articulado, carismático, respeitado, seria alçado ao poder quando conveniente, quando a situação estivesse insustentável ao status quo reinante. A velha lição andradina: façamos a revolução antes que o povo a faça.

Outras vezes, penso que a vida, enfim, seja negociar. A gente conhece a desonestidade da empresa, mas trabalha nela acreditando poder reduzir seus males. Se eu não fizer, um outro fará. E fará pior. Política de redução de danos. Perco para ganhar. É assim com emprego, é assim com as mulheres, é assim com os filhos. De repente, é só assim que se consegue ser presidente.

Até que a história seja passada a limpo, você permanecerá essa contradição. Mas não vai deixar saudades. Oxalá.