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O Lobo da Estepe
(Der Steppenwolf – Hermann Hesse, Alemanha, 1927)

“Naturalmente, não querem nadar. Nasceram para andar na terra e não para a água. E, naturalmente, não querem pensar: foram criados para viver e não para pensar! E quem pensa, quem faz do pensamento sua principal atividade, pode chegar muito longe com isso, mas, sem dúvida, estará confundindo a terra com a água e um dia morrerá afogado”. (pág. 13)

“O burguês é uma criatura de impulsos vitais muito débeis e angustiosos, temerosa de qualquer entrega de si mesma, fácil de governar. Por isso colocou em lugar do poder a maioria; em lugar da autoridade a lei; em lugar da responsabilidade as eleições”. (págs. 49/50)

“Inspirava suspeita a muitos, estava em contínuo e amargo conflito com a opinião e a moral públicas, e embora continuasse vivendo na esfera burguesa, era, todavia, por minha maneira de pensar e de sentir, um estranho neste mundo. Religião e pátria, família e estado careciam de significação para mim e já nada me importava; a presunção da ciência, das profissões, das artes me causava asco”. (pág. 64)

“Assim como agora me visto e saio, vou visitar o professor e troco com ele algumas frases amáveis, mais ou menos falsas, tudo isto contra a minha vontade, assim procede a maioria dos homens que vivem e negociam todos os dias, todas as horas, forçadamente e sem na realidade querê-lo”. (pág. 72)

“Seria descoberto, talvez muito em breve, pois não só as imagens e acontecimentos presentes e momentâneos poderiam chegar continuamente até nós, como a música de Paris ou de Berlim se faz agora audível em Frankfurt ou em Munique, mas também tudo o que já aconteceu fica registrado e pode tornar-se atual; e que um dia, com fios ou sem eles, com ou sem ruídos, chegaremos a ouvir a voz do rei Salomão ou a de Walter von der Vogelwide. E que tudo isto, como hoje os primórdios do rádio, só servirá ao homem para fugir de si mesmo e de sua meta e envolver-se numa rede cada vez mais cerrada de distrações e ocupações inúteis”. (pág. 95)

“É sabido que ninguém escreve pior do que os partidários das velhas ideologias, das ideias decrépitas; ninguém exerce sua profissão de jornalista com menos dignidade e consciência”. (pág. 106)

“Dois terços da gente de meu país leem esta espécie de jornal; leem de manhã e à noite coisas escritas neste tom, são trabalhados permanentemente, incitados, açulados; semeia-se neles o descontentamento e a maldade, e a meta final de tudo isto é outra vez a guerra (…) Uma hora de reflexão, um momento de entrar em si mesmo e perguntar a parte de culpa que lhe cabe nesta desordem e na maldade que impera no mundo, mas ninguém quer faze-lo”. (pág. 107)

“Nossos líderes trabalham sem descanso e com êxito na preparação da próxima guerra, e enquanto isso nós todos dançamos o fox, gastamos dinheiro e comemos confeitos; numa época assim o mundo sem dúvida parece bastante resignado”. (pág. 137)

“Sempre foi e será assim: o tempo e o mundo, o dinheiro e o poder pertencem aos mesquinhos e superficiais, e nada coube aos outros, aos verdadeiros homens, nada a não ser a morte”. (pág. 138)

“Em todos os muros havia cartazes selvagens, magníficos, instigadores, pedindo à nação, em letras gigantescas que ardiam como tochas, que se colocasse afinal ao lado dos homens na guerra contra as máquinas, que matasse afinal os ricos, os obesos, os bem vestidos, os perfumados, que com a ajuda das máquinas espremiam a gordura dos demais, e destruísse os automóveis luxuosos, estrepitosos, malcheirosos, que incendiasse afinal as fábricas e despovoasse e desalojasse um pouco a terra profanada, para que nela voltasse a nascer grama, para que sobre este mundo de cimento voltasse a haver bosques, prados, urzes, arroios e pântanos”. (pág. 162)

“A vida é toda assim, meu filho, e temos de deixá-la ser assim, e se não formos idiotas devemos rir-nos dela (…) Aprenda a levar a sério o que merece ser levado a sério, e a rir de tudo o mais!”. (pág. 193)

One Comment

  1. Se tivessem querido nadar, não se poluiriam as águas.


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