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Monthly Archives: maio 2011

“A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses. É errado e desumano impor os judeus aos árabes”.
Mahatma Ghandi – Manifesto sobre os judeus na Palestina (1938)

Obama apoia estado palestino desmilitarizado nas fronteiras de 1967

Bullshit. Obama sabe estar lidando com fundamentalistas. Se necessário, matam pelas sagradas escrituras. “Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e à tua descendência, para sempre (Gênesis 13:15)”.

A supremacia judaica é bíblica. Jacó já mostrava a que vinha quando surrou um anjo (Gênesis 32:24). Está nos subconsciente dos crentes, dos fãs da pop music. “Jacob wrestled the angel and the angel was overcome” (U2, Bullet the blue sky). O livro-referência do ocidente é a base sobre a qual se erigiu o Estado judeu no Oriente Médio em 1948, quando a ONU sequestrou dois terços da Palestina para abrigar Israel.

Hoje, mais de 80% da área está em poder dos israelenses, graças a ocupações militares e assentamento de colonos – ações que violam mais de 30 resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O ano de 67 a que se refere Obama marca a tentativa dos antigos proprietários de retomar à força suas terras. No fim, Israel venceu, anexando Gaza, Cisjordânia, as colinas do Golã (Síria) e o deserto do Sinai (Egito).

Conscientes de sua inferioridade bélica, os palestinos passaram a recorrer ao que se denomina terrorismo. Assim, o sul do Líbano, um dos suspostos focos terroristas, foi também invadido por Israel em 1978. Neste cenário nasceu a milícia islâmica Hizbollah (Partido de Deus, em árabe), constituído para livrar o Líbano do jugo israelense, aqueles que matam em nome do outro Deus, Javé.

Aparentemente cansado dos homens-bomba explodindo em seu país, o primeiro ministro israelense Yitzhak Rabin fechava, em 1993, um acordo com Yasser Arafat para a demarcação de um estado palestino. Rabin foi assassinado. Por um israelense. Israel não quer nada disso. Os EUA não querem nada disso.

Porque Israel é um inseticida eficaz numa área infestada de baratas muçulmanas, cheia de petróleo. Dois terços das reservas mundiais. Até que o ocidente mude de matriz enérgetica, nada mudará. Obama bem o sabe.

Por isso a instalação de um Estado judeu no coração da Palestina no pós-guerra. Por isso o repasse anual de US$4 bilhões dos Estados Unidos a Israel, que inclui o fornecimento de helicópteros, caças F-16 e mísseis de longo alcance. Por isso as falsas fronteiras impostas na região pelas nações hegemônicas – britânicos, franceses, norte-americanos -, baseados em seu etnocentrismo.

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“Tudo o que se deve fazer é dizer às pessoas que elas estão sendo atacadas, denunciar os pacifistas por falta de patriotismo e expor o país ao perigo”.
Hermann Göring, vice-chanceler de Adolf Hitler

1898, ano 1 do expansionismo. De olho no Caribe, os Estados Unidos da América passam a apoiar movimentos de independência em colônias espanholas locais, desafiando a rainha regente, Maria Cristina de Habsburgo-Lorena. Em meio à tensão, uma explosão afunda o couraçado Maine, ancorado na baía de Havana, matando 254 marinheiros norte-americanos a bordo.

A Espanha é responsabilizada. Habsburgo-Lorena, Bin Laden do século 19. O Congresso aprova a liberação de recursos para financiar a guerra. A Espanha é derrotada. Os EUA surgem como novos imperadores de Cuba e Antilhas. “Com o tempo veio a descobrir-se que a acusação contra o Império Espanhol de ter atacado o navio norte-americano era infundada, pois foram os próprios Estados Unidos que afundaram a embarcação com o objetivo de declarar a guerra”.*

1911. A comissão interna que apurava o caso Maine conclui que uma explosão “acidental” na sala de máquinas casou o naufrágio.

1915. A Primeira Guerra Mundial gera uma espécie de zona de exclusão entre Alemanha e Grã-Bretanha. Ignorando as advertências alemãs, o navio de passageiros RMS Lusitania deixa Nova York em 1º de maio, com destino a Liverpool.  1º de maio, Bin Laden. É torpedeado seis dias depois, na costa irlandesa, deixando quase 2 mil mortos. Um único torpedo, disparado por um submarino alemão, afundou o transatlântico em menos de 20 minutos.

Tio Sam, indignado, entra na guerra. Mais tarde, descobre-se, uma explosão no interior da embarcação causou o naufrágio. O rombo no casco era de dentro para fora. O Lusitania carregava armas e munição.

1941, Segunda Guerra Mundial. Os EUA, novamente, são expectadores, até que chega o 7 de dezembro. Dia da Infâmia. Num ataque aéreo, a marinha japonesa bombardeia a baía de Pearl Harbor, Havaí, base da frota norte-americana no Pacífico. Saldo: 2.500 mortos, entre militares e civis. Era o motivo para entrar no conflito, que ao final deixaria os EUA como potência capitalista soberana do pós-guerra.

O tempo corre, questionamentos surgem. Radares e sistemas de alerta teriam falhado justo naquele dia? Revela-se, então, que duas semanas antes do ataque, a espionagem ianque já interceptava mensagens em que o almirante japonês tratava do bombardeio a Pearl Harbor. Bin Laden de olhos puxados.

Anotações de 25 de novembro do secretário de defesa da Casa Branca: “Franklin D. Roosevelt afirmou que é muito provável que sejamos atacados já na próxima segunda-feira. Roosevelt interrogou-se: “a questão é como os manobrar de forma a que sejam eles a dar o primeiro tiro sem que isso constitua um perigo demasiado para nós. Não obstante o risco envolvido, contudo, em deixar os japoneses dar o primeiro tiro, chegamos à conclusão que para termos o total apoio do povo americano é desejável que asseguremos que sejam os japoneses a fazê-lo de forma que não restem quaisquer dúvidas no espírito de ninguém de quem foram os agressores”. **

O roteiro se repete em 1964, num falso ataque norte-vietnamita a dois destróieres norte-americanos, que culmina na invasão ao Vietnã comunista. Nas intervenções pela América Latina, contra a ameaça desse mesmo comunismo. Bin Laden de foice e martelo. Em 1991, na suposta defesa do Kuwait invadido que desencadeou a Guerra do Golfo, e 12 anos depois, no mesmo Iraque, para eliminar armas de destruição que nunca existiram.

11/09/2001. Um novo motivo para uma nova guerra. Um terrorista árabe, de dentro das cavernas do Afeganistão, coordena o maior ataque ao país mais poderoso e mais seguro do mundo. Requiescat in pace, Bin Laden. E que a história faça sua parte.

* Fernando Montiel. “Una hipótesis macabra: el autogolpe como mecanismo de política exterior”.

** Diário de Henry Stimson