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“Tudo o que se deve fazer é dizer às pessoas que elas estão sendo atacadas, denunciar os pacifistas por falta de patriotismo e expor o país ao perigo”.
Hermann Göring, vice-chanceler de Adolf Hitler

1898, ano 1 do expansionismo. De olho no Caribe, os Estados Unidos da América passam a apoiar movimentos de independência em colônias espanholas locais, desafiando a rainha regente, Maria Cristina de Habsburgo-Lorena. Em meio à tensão, uma explosão afunda o couraçado Maine, ancorado na baía de Havana, matando 254 marinheiros norte-americanos a bordo.

A Espanha é responsabilizada. Habsburgo-Lorena, Bin Laden do século 19. O Congresso aprova a liberação de recursos para financiar a guerra. A Espanha é derrotada. Os EUA surgem como novos imperadores de Cuba e Antilhas. “Com o tempo veio a descobrir-se que a acusação contra o Império Espanhol de ter atacado o navio norte-americano era infundada, pois foram os próprios Estados Unidos que afundaram a embarcação com o objetivo de declarar a guerra”.*

1911. A comissão interna que apurava o caso Maine conclui que uma explosão “acidental” na sala de máquinas casou o naufrágio.

1915. A Primeira Guerra Mundial gera uma espécie de zona de exclusão entre Alemanha e Grã-Bretanha. Ignorando as advertências alemãs, o navio de passageiros RMS Lusitania deixa Nova York em 1º de maio, com destino a Liverpool.  1º de maio, Bin Laden. É torpedeado seis dias depois, na costa irlandesa, deixando quase 2 mil mortos. Um único torpedo, disparado por um submarino alemão, afundou o transatlântico em menos de 20 minutos.

Tio Sam, indignado, entra na guerra. Mais tarde, descobre-se, uma explosão no interior da embarcação causou o naufrágio. O rombo no casco era de dentro para fora. O Lusitania carregava armas e munição.

1941, Segunda Guerra Mundial. Os EUA, novamente, são expectadores, até que chega o 7 de dezembro. Dia da Infâmia. Num ataque aéreo, a marinha japonesa bombardeia a baía de Pearl Harbor, Havaí, base da frota norte-americana no Pacífico. Saldo: 2.500 mortos, entre militares e civis. Era o motivo para entrar no conflito, que ao final deixaria os EUA como potência capitalista soberana do pós-guerra.

O tempo corre, questionamentos surgem. Radares e sistemas de alerta teriam falhado justo naquele dia? Revela-se, então, que duas semanas antes do ataque, a espionagem ianque já interceptava mensagens em que o almirante japonês tratava do bombardeio a Pearl Harbor. Bin Laden de olhos puxados.

Anotações de 25 de novembro do secretário de defesa da Casa Branca: “Franklin D. Roosevelt afirmou que é muito provável que sejamos atacados já na próxima segunda-feira. Roosevelt interrogou-se: “a questão está na forma de os manobrar de forma a que sejam eles a dar o primeiro tiro sem que isso constitua um perigo demasiado para nós. Não obstante o risco envolvido, contudo, em deixar os japoneses dar o primeiro tiro, chegamos à conclusão que para termos o total apoio do povo americano é desejável que asseguremos que sejam os japoneses a fazê-lo de forma que não restem quaisquer dúvidas no espírito de ninguém de quem foram os agressores”. **

O roteiro se repete em 1964, num falso ataque norte-vietnamita a dois destróieres norte-americanos, que culmina na invasão ao Vietnã comunista. Nas intervenções pela América Latina, contra a ameaça desse mesmo comunismo. Bin Laden de foice e martelo. Em 1991, na suposta defesa do Kuait invadido que desencadeou a Guerra do Golfo, e 12 anos depois, no mesmo Iraque, para eliminar armas de destruição que nunca existiram.

11/09/2001. Um novo motivo para uma nova guerra. Um terrorista árabe, de dentro das cavernas do Afeganistão, coordena o maior ataque ao país mais poderoso e mais seguro do mundo. Requiescat in pace, Bin Laden. E que a história faça sua parte.

* Fernando Montiel. “Una hipótesis macabra: el autogolpe como mecanismo de política exterior”.

** Diário de Henry Stimson

4 Comments

  1. Vou continuar a te provocar sempre, se o resultado for uma reflexão como esta. Obrigada por nos presentear com uma análise referendada por fatos históricos. Beijão

  2. Adiciona-se a isso o modelo “democrático” norte-americano, muito parecido com o adotado na ditadura militar brasileira: eleições livres nos países onde há tropas, desde que se escolham os candidatos do interesse dos Estados Unidos. A oposição é um risco à “democracia” e à “liberdade”, tão duramente “construídas”

  3. E agora o paparicado Obama surge com a descarada sinceridade ao planeta: “A morte de Osama é uma mensagem dos EUA ao mundo”. Ou seja, “os Estados Unidos farão o que quiserem, onde quiserem, se se sentirem ameaçados”. Fizeram isso em todos os cantos: intromissão nos assuntos internos do Brasil, colaboração em espionagem, apoio logístico (frota no litoral brasileiro em 64) e envio de professores de tortura. No Chile, também, na Bolívia para matar o Chê e por aí vai.

  4. Esse é o Nando.


One Trackback/Pingback

  1. By Je suis imbécile | A Forca on 14 jan 2015 at 4:27 pm

    […] os franceses aderido ao False Flag Attack popularizado por alemães, utilizado em larga escala por norte-americanos e, modo tacanho, pelo Brasil? Se a polícia vinha emitindo alertas, o Charlie Hebdo não seria um […]

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