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Por que estudar a mídia?
(Roger Silvertone, 2002)

“E o que (Marshall) McLuhan articula e ao mesmo tempo reforça irrefletidamente é quase um universal na cultura, em que a tecnologia pode ser vista como encantamento. A expressão é praticamente a mesma de Alfred Gell. Ele a emprega para descrever tecnologias de encantamento que os humanos criaram para ‘exercer controle sobre idéias e ações de outros seres humanos’ (Gell, 1988, p.7), referindo-se com isso à arte, à música, à dança, à retórica, aos presentes, e a todos os artefatos intelectuais e práticos que surgiram para nos permitir expressar toda a gama das paixões humanas, isto é, a mídia”. Pág. 49

“Consideraremos, contudo, a que é talvez a mais fundamental conquista retórica de nossa mídia contemporânea, na verdade de todas as mídias, sobretudo a mídia factual: sua capacidade de nos convencer de que o que ela representa realmente ocorreu”. Pág. 67

“…observamos cada vez mais a turvação das fronteiras entre informação e entretenimento, fatos e histórias”. Pág. 81

“O esclarecimento do papel da mídia na vida cotidiana é, portanto, possibilitado justamente pela percepção de que o mundo em que vivemos, que em parte construímos e que se baseia na experiência, em nossa compreensão dessa experiência e em nossa tentativa de representá-la (ou distorcê-la), já é – num sentido poderoso, performativo – mediado”. Pág. 134

“…o consumo é a única atividade pela qual nos envolvemos, diariamente, com a cultura de nossos tempos. O consumo é uma atividade que absolutamente não é confinada pela decisão ou pelo ato de compra; tampouco é singular. Consumimos sem cessar, e por nossa capacidade de fazê-lo contribuímos para, reproduzimos e afetamos consideravelmente a textura da experiência. Nisso recebemos auxílio da mídia. Com efeito, consumo e mediação são, em inúmeros aspectos, fundamentalmente interdependentes (…) o consumo é, ele mesmo, uma forma de mediação, à medida que os valores e significados dados de objetos e serviços são traduzidos e transformados nas linguagens do privado, do pessoal e do particular. Consumimos objetos. Consumimos bens. Consumimos informação”. Pág. 150

“As sociedades criaram mecanismos, locais e ritmos próprios para a regulação do consumo. Os dias são marcados pelos lugares e momentos apropriados para comer. As estações são marcadas por nossa disposição para consumir e celebrar o que quer que amadureça. O calendário é marcado por eventos e rituais que realçam o processo de consumo”. Pág. 153

“A capacidade da mídia de produzir confiança (…) ocupa o espaço uma vez dominado pela superstição e pela religião, permitindo-nos formar reflexivamente nosso senso de nós mesmos em comparação com o que vemos e ouvimos sobre o mundo que existe alhures do outro lado da tela”. Pág. 222

“Enquanto outrora podíamos pensar na mídia como um fiador da liberdade e do processo democrático, temos agora de reconhecer o fato de que as próprias liberdades exigidas pela mídia e a ela são concedidas e que nos serviram tão bem no passado estão a ponto de ser destruídas por essa própria mídia em sua ostentosa maturidade”. Pág. 265

“Nenhuma parte da vida social contemporânea é intocada pela presença da mídia. Sua ausência é sentida como uma ferida. Numa chamada sociedade da informação, a ausência de informação é visa como uma privação imensurável. Mas mesmo essa percepção tão frequentemente articulada é um engano. A informação não tem valor. Conhecimento é o que conta”. Pág. 278

One Comment

  1. “A informação não tem valor. Conhecimento é o que conta”. Creio que informação valha, sim, desde que se tenha conhecimento para discernir as coisas. Nesta sociedade imediatista, tem valido pouco, portanto. E o terceiro parágrafo me faz lembrar o ‘Globo Esporte’: brincam com a notícia e, se não há notícia, brincam, simplesmente. Tanto que a emissora substituiu a Central Globo de Jornalismo pela DGJE, sigla para Direção Geral de Jornalismo e Esporte. Se quiser, entenda o ‘E’ de esporte como ‘E’ de entretenimento. Assistindo ao programa, você verá que dá na mesma.


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