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Monthly Archives: junho 2011

“Finance is a form of warfare. Like military conquest, its aim is to gain control of land, public infrastructure, and to impose tribute. This involves dictating laws to its subjects, and concentrating social as well as economic planning in centralized hands. This is what now is being done by financial means, without the cost to the aggressor of fielding an army. But the economies under attack may be devastated as deeply by financial stringency as by military attack when it comes to demographic shrinkage, shortened life spans, emigration and capital flight”.
Michael Hudson, “EU: Class War Declared“.

Islândia, Letônia, Irlanda, Grécia. Chegou a vez de Portugal se render à maior e mais silenciosa máquina de guerra contemporânea.

Incapaz de honrar os juros prometidos à ciranda financeira internacional que comprou títulos de sua dívida, o governo português ajoelha-se diante do FMI. Espantosamente, a receita é a mesma que falhou nos anos 90: disciplina fiscal, corte nos gastos públicos e privatizações. Privatizações que aumentam o custo dos serviços, roubam receita pública, forçam a elevação de impostos e a redução dos gastos sociais. Geram nova crise.

É a preparação para uma nova etapa do capitalismo, onde países inteiros serão negociados. A Grécia começou vendendo suas ilhas. Mesmo seguindo a cartilha do FMI, terá que leiloar também seus portos, água e sistema de esgoto. O povo? Que morra. Investidores devem receber seus juros.

Paulatinamente, governos vão sendo substituídos por uma oligarquia financeira transnacional. Ela atingiu um estágio de supressão de atravessadores: o executivo e o legislativo tornaram-se dispensáveis. Daqui por diante, o Estado passará a existir apenas como tutor desta lógica.

A Espanha será a próxima. Os demais aguardam na fila. No desgaste popular da direita, governos classificados como de centro-esquerda – como o brasileiro – também adotaram receitas neoliberais em suas economias, tendo a austeridade como antídoto à recessão. Por isto, o staff de Dilma Rousseff eleva novamente a taxa de juros de uma dívida que sabe ser impagável.

Cá como lá, o trabalhador trabalhará cada vez mais para receber cada vez menos, sustentando uma máquina de guerra cuja existência ignora completamente. E que, cedo ou tarde, o atingirá.

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