Skip navigation

“Somos diferentes de todas as oligarquias do passado, porque sabemos o que estamos fazendo. Todas as outras, até mesmo as que se assemelhavam conosco, eram covardes e hipócritas. Os nazistas alemães e os comunistas russos muito se aproximaram de nós nos métodos, mas nunca tiveram a coragem de reconhecer os próprios motivos. Fingiam, talvez até acreditassem, ter tomado o poder sem querer, e por tempo limitado, e que bastava dobrar a esquina para entrar num paraíso onde os seres humanos seriam iguais e livres. Nós não somos assim”.
George Orwell, ‘1984’.

Ficções da adolescência mostram-se proféticas. A oligarquia contemporânea não tem rosto, não tem ideologia. Esconde-se atrás de subalternos fiéis, bandidos travestidos de governantes a fazer o serviço sujo. África, América Latina, Islândia, Letônia, Irlanda, Grécia, Portugal. Espanha. As cenas de saqueio a supermercados nas terras de Dom Juan Carlos I poderiam integrar qualquer obra orwelliana. Mas são reais.

 

A nação de Cervantes ajoelha-se diante do capital. Aumentarão os impostos, congelarão salários, privatizarão empresas públicas em nome da austeridade – palavra que hoje se faz reverberar por forças dessa mesma oligarquia. Medidas de sempre, que nunca funcionaram, nunca funcionarão. Cumpre-se o Capitalism and Freedom de Milton Friedman, onde o Estado é coadjuvante. Teoria estudada por economistas chilenos na Universidade de Chicago e aplicada no Chile de Pinochet.

 

Dali, seguiu para os vizinhos sulamericanos, e agora atinge a Europa. É a coroação de um estágio iniciado no fim da Guerra Fria, a ideologia triunfante do capital, a concentração massiva de dinheiro, fusões e aquisições de grandes empresas, economia globalizada. Em busca do lucro, trocou-se o Velho Mundo por territórios com mão de obra farta e barata, sem políticas de proteção social.

A mídia, também capitalizada, endossa o discurso financeiro da austeridade, do mercado livre e moderno contra o Estado arcaico. Diante da crise, não só ignora a fome dos espanhois como convida a lucrar com ela. A Europa está quebrada, aproveite para viajar.

Minha mídia retrata minha indiferença. A informação que recebo, a saúde, a educação (mesmo aquela que se dá no ambiente doméstico),a infraestrutura, a comida, nada mais escapa ao capital, ao consumo, ao lucro. O mundo de Orwell se tornou real. O de Godard está em fase embrionária.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: