Skip navigation

“Em geral essas personagens se filiavam num dos dois grandes partidos que aqui brigavam: o liberal e o conservador. Um deles dirigia os negócios públicos. O outro, na oposição, dizia cobras e lagartos dos governantes, até que estes se comprometiam e Sua Majestade os derrubava e substituía pelos descontentes, que eram depois substituídos. Os programas dessas facções divergiam, é claro, mas na prática elas se assemelhavam bastante.”
Graciliano Ramos, Pequena História da República (1960)

“Vote Dilma, para o Brasil seguir não privatizando”. Com slogans do tipo, a candidata Dilma Rousseff saiu vitoriosa na eleição presidencial de 2010. Os demônios eram os adversários tucanos, que nos governos anteriores passaram o patrimônio nacional às mãos de empresas privadas. “Nosso caminho é totalmente outro”, dizia a propaganda petista.

Mal tomou posse, a presidente Dilma anunciou a decisão de privatizar três dos maiores aeroportos do país: Guarulhos, Campinas e Brasília.

Nada de novo no front. No pleito anterior, o candidato à reeleição Lula também utilizara-se das privatizações tucanas para desqualificar o oponente, Geraldo Alckmin. Duas semanas após tomar posse, Lula iniciaria o processo de privatização de sete lotes de rodovias federais.

A entrega de portos e ferrovias à concessão privada, ora anunciada, cumpre perfeitamente a agenda petista para o país.

De surpreendente, só a argúcia do partido da estrela vermelha ao aplicar, no exercício do poder, uma ideologia que combate em períodos eleitorais. No mais, usa-se o discurso da ineficiência e da contenção de despesas para justificar as concessões – exatamente como fazia o PSDB. E para reforçar a sensação de incapacidade do setor público, retira-se paulatinamente do orçamento federal o dinheiro destinado aos investimentos em infraestrutura.

Assim segue a nação, vivendo a paz da ilusão ‘esquerda no poder’. A façanha histórica do Partido dos Trabalhadores é manter a ordem na massa insatisfeita e faminta pelas políticas neoliberais. Descompromissados com as transformações na velha estrutura casa grande-senzala, ex-guerrilheiros e intelectuais marxistas oferecem sua trajetória, seu capital político, para gerir os negócios privados, apaziguando a tensão entre trabalhadores e patrões.

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: