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Give me control of a nation’s money supply, and I care not who makes its laws“.
Mayer Amschel Rothschild (1744-1812)

Estados Unidos da América, Natal de 1913. O presidente Woodrow Wilson convoca os senadores para votar o projeto de lei que cria o Federal Reserve (FED). Banco central autônomo. Em meio aos festejos natalinos, apenas três senadores atendem à convocação. O projeto é aprovado. Enquanto os norteamericanos comem peru, o governo transfere ao FED, uma instituição privada criada por banqueiros, o poder de controlar a circulação de moeda no país. Eles, só eles, poderiam emitir dólares e emprestá-los a juros (CERQUEIRA, 2013).

Estados Unidos da América, julho de 1944. Conferência de Bretton Woods. Estados Unidos dos Rotschild, dos Warburg. Dos Rockefeller, dos Morgan, dos Carnegie. Detentores da maior reserva mundial de ouro, obtida como pagamento pelo financiamento das duas grandes guerras, os banqueiros definem o dólar como referência financeira mundial. O ouro lastreava a moeda: 35 dólares valiam 31,1 gramas do nobre metal. Só com a moeda deles poderia-se, a partir de então, fazer negócios internacionais.

Estados Unidos da América, 4 de junho de 1963. O presidente John F. Kennedy percebe a armadilha. A nação mais próspera do planeta fora aprisionada por banqueiros. Kennedy assina a Ordem Executiva 11.110, devolvendo ao governo norteamericano o poder de emitir sua própria moeda. Cinco meses depois, Kennedy foi passear em Dallas e nunca mais voltou.

Os banqueiros já eram grandes demais. Lyndon Johnson, sucessor de Kennedy, entendeu isso e devolveu os poderes ao FED.

Ouro de tolo

Para financiar a reconstrução de uma Europa arrasada pela Segunda Guerra, cria-se o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), instituições que fariam empréstimos também aos países pobres: latinos, africanos, asiáticos. A elite banqueira expandia, assim, sua cartela de clientes.

Mas a paridade com o ouro limitava os empréstimos. Mais dólares, só com mais ouro. Era preciso aumentar os lucros.

Estados Unidos da América, agosto de 1971. O presidente Richard Nixon revoga a paridade ouro-dólar. A quantidade de moeda em circulação não mais deveria corresponder à quantidade de ouro disponível no FED. O dólar passava a ser a garantia de si próprio. O banco, agora, podia emitir moeda a seu bel prazer. Aumentava a oferta de crédito nos bancos internacionais, a taxas módicas de 5% ao ano.

Novos índios, novos espelhos

Brasil, década de 70. Um país sob uma ditadura militar, fruto de um golpe de Estado financiado pelos Estados Unidos da América (CHIAVENATO, 1994) e apoiado pela imprensa local, que passara três anos atacando o governo João Goulart. Um país que sempre precisa de dinheiro, habitado por uma gente de incapacidade latente. Um país já endividado junto à Coroa Britânica para pagar sua independência, para poder enfrentar e vencer o vizinho Paraguai. Um país inviável.

Os bancos se multiplicam, se ramificam. O governo militar toma mais empréstimos. A regra muda no meio do jogo. Em 1981, FED e bancos brtânicos aumentam os juros para 20,5%. A dívida brasileira, durante os governos militares, sobe de U$ 2,5 bilhões para mais de U$ 100 bi (GONÇALVES e POMAR, 2000).

Xeque-mate. O Brasil não pode pagar. Sem cash, é obrigado a assinar seu primeiro acordo com o FMI, em 1983. Os termos: corte de gastos públicos, privatizações, lucro do Tesouro Nacional atrelado ao pagamento da dívida. Mais: o Banco Central do Brasil deve assumir a dívida dos Estados e das empresas.

O Caçador

collor_VejaBrasil, década de 90. O povo quer mudança. O Estado deve ser alijado da economia, mantê-lo é caro demais. A mudança, então, é Fernando Collor, o candidato da imprensa. Da meia dúzia de famílias que forma a opinião pública nacional. É ele quem vai comandar o desmonte do Estado, iniciando as privatizações, abrindo as portas às importações, reduzindo os impostos sobre remessas de dinheiro das multinacionais para o exterior de 25% para 15%.

Mas Collor mostra-se politicamente inviável em sua ortodoxia. Ao reduzir os ministérios em uma dezena, desagrada os caciques do Congresso Nacional. Ao confiscar as poupanças, convencido por economistas como André Lara Resende, provoca a ira dos poupadores. Collor cai. Os banqueiros precisam de um novo rosto para encampar seu projeto.

O Príncipe

Brasil, 1994. O sociólogo Fernando Henrique Cardoso, homem da esquerda, exilado pela ditadura militar, é eleito à presidência, trazendo com ele André Lara Resende. A alíquota sobre remessas ao exterior, que Collor baixara a 15%, é extinta. A dívida é transformada em títulos negociáveis no Mercado – entidade diante da qual todos devem, agora, se curvar. As taxas de juros ofertadas aos investidores chegam a incríveis 45%. O país inviável, para refinanciar sua dívida, se endivida ainda mais.

Sob a batuta de FHC, bancos internacionais compram os nacionais, espalhando seus tentáculos por terras tupiniquins. Com os juros em alta, eles abocanham os títulos da dívida, mais rentáveis e com risco praticamente zero. O crédito para investimentos produtivos desaparece.

O sociólogo mostra-se eficiente. Deve ficar mais tempo. Seu staff suborna congressistas, a emenda da reeleição é aprovada.

Quando FHC deixa o Planalto, haviam sido privatizadas rodovias, companhias elétricas, Vale do Rio Doce, Telebrás, Banespa. Estavam encaminhadas as vendas de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras. A carga tributária havia subido de 26% para 32% do PIB. Mas apesar disso, a dívida brasileira saltara de R$ 153 bilhões para R$ 892 bilhões. Mais da metade do Produto Interno Bruto nacional. E o país teve que fazer três novos empréstimos junto ao FMI e Banco Mundial.

privatizaO desemprego aumenta. O corte de gastos, a redução dos salários e aposentadorias provocam retração do consumo. Sem vender, empresas reduzem a produção, demitem. O povo se revolta, quer mudança. Novamente, é necessário um novo rosto.

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O Sapo

Um metalúrgico de origem humilde, líder de um partido historicamente contrário ao império dos bancos, derrotado por Collor e FHC nos pleitos anteriores, mostra-se cansado de perder. Percebe que Vargas e Goulart, os dois últimos a contrariar os interesses banqueiros, caíram. Parece, enfim, convencido de que o país é inviável. Escreve uma carta ao povo, compromete-se a seguir as regras do jogo. O povo não lê a carta.

Brasil, 2002. Luís Inácio Lula da Silva assume o posto de FHC. Jura fidelidade ao Mercado. A dívida continua a subir, os bancos ampliam seus lucros. Alguns deles, em até 1.000% ao ano. Mas no meio do caminho havia uma pedra.

Uma década se passa e o partido do metalúrgico não vende os bancos, nem a Petrobras. Ao contrário: investe nos primeiros, aumentando a oferta de crédito a juros menores do que aqueles oferecidos pelo Mercado. Reduz-se as taxas de juros: 25, 20, 15, 10. Permite-se que pessoas físicas possam também comprar esses títulos. A rentabilidade dos títulos cai. O Mercado perde o monopólio, sente-se ultrajado. O partido do metalúrgico mostra-se rebelde.

A imprensa denuncia: o Estado está inchado, a inflação vai voltar. Novamente, o povo é convencido de que sustenta os marajás, mesmo que os gastos com a dívida sejam 4 vezes superiores e representem metade do orçamento nacional.

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O partido acena com um projeto de regulação da mídia, ameaçando a meia dúzia de famílias que publica o que quer. Porém, tão inviável quanto seus leitores, também ela está endividada e fala em nome dos banqueiros. O partido do metalúrgico é gastador. E o rosto que era novo está desgastado.

A Evangélica Verde

Brasil, 2014. O povo quer mudança, mas o Mercado não encontra um rosto convincente. Um avião cai, as nuvens se dissipam. Uma professora de origem humilde, da esquerda, com histórico de luta em defesa do meio ambiente, dos povos da Amazônia, surge como alternativa à velha política. Marina Silva é a menina dos olhos da Open Society Foundation, do megainvestidor George Soros.

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Marina promete autonomia a um Banco Central já combalido por rentistas. Woodrow Wilson sorri no túmulo.

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Marina traz com ela André Lara Resende, o velho conselheiro de Collor e FHC. O Mercado a saúda, o povo abre os braços ao novo, ressignificado.

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Os bancos, invencíveis, aprenderam a mercantilizar a esperança. E o Brasil é um país inviável.

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I place economy among the first and most important virtues and public debt as the greatest of dangers to be feared. To preserve our independence, we must not let our rulers load us with public debt“.
(Thomas Jefferson, 1743-1823)

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Referências:
– Auditoria Cidadã da Dívida. http://www.auditoriacidada.org.br
– CHIAVENATO, Júlio José. O Golpe de 64 e a Ditadura Militar. São Paulo: Moderna, 1994.
– GONÇALVES, Reinaldo; POMAR, Valter. O Brasil Endividado. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2000
– CERQUEIRA, RNF. A Babel Illuminati. São Paulo: Ixtlan, 2013.

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