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Monthly Archives: outubro 2014

O Partido dos Trabalhadores parece ter deslocado para sempre o PSDB do centro. No atual pleito, assemelhou-se ainda mais aos adversários, distanciando-se do debate ideológico, programático, atendo-se a mesquinharias próprias da sociedade do espetáculo reproduzidas no circo das eleições. Seguirá por mais 4 anos na gerência do capital.

Quanto durará esta estratégia? O PT teve papel fundamental na contenção da insafisfação popular predominante no fim da era FHC. Sem romper com o quadro institucional vigente, o pacto social acalmou banqueiros e miseráveis. Com políticas de valorização do salário e ampliação do crédito, estimulou o consumo e ajudou, junto com os vizinhos, tornar a América Latina uma espécie de UTI para o capital que agoniza no velho mundo. Passada uma década, o modelo dá sinais de esgotamento. As manifestações de junho sinalizam: o governo do pacto social não tem mais eficácia.

Em três mandatos os governos petistas conseguiram humanizar este capital, reduzindo a miséria e a mortalidade infantil a níveis jamais vistos em nossa história republicana moderna. Trouxeram, assim, a população mais pobre para dentro do círculo capitalista, do sistema bancário, do mundo dos cartões de crédito. O acesso, porém, veio desacompanhado de educação, das noções mais básicas de cidadania – que ainda permanecem estranhas a nós. Sem barreiras, a mercadoria despertou consumidores adormecidos, mercantilizou aspectos básicos de seu cotidiano, acentuou o individualismo, o conservadorismo. Venci por mim, não por uma política de Estado. A imagem do indivíduo com olhos vidrados em seu gadget, ignorando o entorno, seja talvez a mais fiel metáfora do brasileiro contemporâneo.

A boca da agiotagem internacional avança cada vez mais sobre nosso trabalho. No ano passado foram R$ 900 bilhões; neste, R$ 1 trilhão; em 2015, R$ 1,4 tri.

Fonte: Ministério da Fazenda

Fonte: Ministério da Fazenda

Ao contrário do que pregam os petistas, não há possibilidade de mudança do papel brasileiro no mundo sob este governo. Permaneceremos como colônia produtora de matéria-prima. Éramos vendedores de açúcar há 500 anos, somos vendedores de açúcar hoje. A única indústria que nos é permitida é aquela que não mais interessa ao chamado primeiro mundo, a automobilística.

O brasileiro convenceu-se de que democracia é digitar números em uma máquina a cada 2 anos. Descobrirá, cedo ou tarde, que foi enganado. Nunca estivemos tão longe do país com que sonhamos um dia. Ave, Furtado.

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