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Monthly Archives: março 2015

2009

Comunicação entre o então candidato à presidência José Serra e Patricia Pradal, diretora de desenvolvimento de negócios da Chevron, divulgada pelo Wikileaks em https://wikileaks.org/cable/2009/12/09RIODEJANEIRO369.html

No documento, Serra garante a Pradal que o regime de partilha, adotado pelo governo petista para exploração do pré-sal não funcionará, as licitações do pré-sal não ocorrerão e “nós mudaremos de volta”, referindo-se ao regime de concessão, implantado pelo governo tucano.

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2015

A previsão de Serra não se confirma, o leilão acontece, o consórcio encabeçado pela Petrobras fica com o campo de Libra. O agora senador, então, apresenta o Projeto de Lei 131, que retira da Petrobras a condição de operadora exclusiva dos poços do pré-sal, “bem como da condicionante de participação mínima da estatal de, ao menos, 30% da exploração e produção de petróleo do pré-sal em cada licitação”.

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Tudo o que afeta a imaginação das multidões apresenta-se sob a forma de uma imagem comovente e clara, desprovida de interpretação acessória ou não tendo outro acompanhamento senão alguns fatos admiráveis: uma grande vitória, um grande milagre, um grande crime, uma grande esperança. É importante apresentar as coisas em bloco, sem jamais explicar sua gênese.
    (…) não são os fatos em si que afetam a imaginação popular, mas o modo como se apresentam. Por condensação, se assim posso me exprimir, esses fatos devem produzir uma imagem impactante que preencha e atormente o espírito. Conhecer a arte de impressionar a imaginação das multidões é conhecer a arte de governá-las”. (Gustave Le Bon, Psicologia das Multidões)

Houve marcha também em 1964. O governo federal propunha aumentar a participação do Estado na economia, reforma agrária, ampliação de direitos trabalhistas. Pequenos passos que alimentavam o sonho de deixar, enfim, a condição histórica de colônia.

Utilizando-se da imprensa local, o sistema convenceu a massa de estar sob os desmandos de um presidente corrupto e comunista. A massa caiu, o governo também. Instaurou-se uma ditadura por mais de duas décadas, com saldo de quase 500 opositores assassinados, famílias destruídas e uma dívida externa impagável.

O genocídio arranhou a imagem de povo pacífico que o país tentava vender ao mundo. A ditadura foi se tornando cara, obsoleta, incômoda, até ser declarada oficialmente extinta. Adotou-se um regime institucional com verniz democrático, mas ainda fechado à participação popular. E o sistema que havia engendrado o golpe de Estado passou, cinicamente, a considerar aquele um capítulo triste da história nacional. Chegara, enfim, um tempo de liberdade política.

Mas a semente estava plantada. Em 1971, o sistema banira as disciplinas de Filosofia e de Sociologia do ensino médio. A Filosofia, força motriz de todas as grandes sociedades da história, de gregos a iluministas, aquela sem a qual nenhuma nação se liberta.

Lá se vão mais de 40 anos. Uma geração inteira ceifada de sua capacidade reflexiva marcha pelas ruas. Marcha nova, discurso velho. O fantasma do Marxismo volta a assombrar a classe média. A história se repetindo.

O sistema é foda. Fez um país produtor de cana há 500 anos, mantém esse país vendendo cana até hoje. Moldou a educação para formatar uma força de trabalho tropical cada vez mais barata, produtiva, desmemoriada, teleguiada.

O 15 de março de 2015 assegura ao sistema que suas engrenagens seguem funcionando. E que passamos 50 anos caminhando em círculos.

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