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Um sistema econômico nacional não é outra coisa senão a prevalência de critérios políticos que permitem superar a rigidez da lógica econômica na busca do bem-estar coletivo”.
(Celso Furtado – Brasil, a construção interrompida, 1992)

O Partido dos Trabalhadores chega a seu quarto quadriênio de presidência incorporando inteiramente o ideário neoliberal. O manto da esquerda, sob o qual se escondeu durante o período eleitoral, é descartado. Em nome da manutenção do poder, a sigla cumpre as exigências finais do capital especulativo, cortando investimentos para crescer o bolo do superávit primário que alimenta a dívida.

Sem mais disfarces, a economia é posta sob controle de um Chicago Boy que tem no currículo passagens por FMI, BID, governo FHC e, finalmente, Bradesco – um dos maiores financiadores da campanha Dilma Rousseff e player da dívida brasileira.

Anuncia-se o ajuste fiscal: corte de investimentos em saúde, educação, infraestrutura, para garantir o pagamento da agiotagem nacional e internacional. A taxa de juros, que vai retornando a patamares da era FHC, não diminui o apetite rentista. É preciso reduzir direitos do trabalhador, com as medidas provisórias 664 e 665 e a Lei da Terceirização.

Congressistas, mais preocupados em construir shoppings e garantir o dinheiro para suas campanhas, subscrevem o pacote de maldades. Ofuscado por falsas dicotomias, eis o aspecto que une governo e oposição (salvo aqueles que se costuma chamar de nanicos da esquerda): garantir o lucro dos players.

Com uma década de atraso, seguimos a trilha que levou a Europa ao abismo: disciplina fiscal, desmonte do Estado, privatizações, aumento de impostos, redução do crédito. Vivendo e não aprendendo. Esperemos uma contração da economia. O desemprego retornando a taxas próximas de 15%. O fim do nosso voo de galinha.

O Brasil do PT é o Brasil de Levy, dos bancos, do FMI. Da ministra Kátia Abreu, dos ruralistas, do gado-exportação, do agronegócio que nos torna campeões mundiais no consumo de agrotóxico, do desmatamento contínuo que reduz as chuvas. Dos transgênicos do deputado Luís Carlos Heinze, que atropelam indígenas e quilombolas, “tudo que não presta” no país.

Aceitamos o papel histórico de celeiro do mundo, mesmo que isto nos custe arruinar nosso solo, nossas águas, nossas florestas, nosso futuro. Renunciamos à possibilidade de desenvolver uma indústria de bens de capital própria. Após um breve clarão, nosso céu volta a escurecer. Desta vez, há nele uma estrela vermelha.

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