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Qualquer um que mate um ser humano, será como se tivesse matado toda a humanidade; e qualquer um que salve a vida de um ser humano, será como se tivesse salvo a vida de toda a humanidade”. (Alcorão 5:32)

Afeganistão, 1979. O ocidente quer guerra. Numa estratégia para derrubar o governo local, pró-soviético, Estados Unidos e Arábia Saudita – com US$ 20 bilhões cada – financiam grupos muçulmanos radicais, a Aliança Islâmica do Mujahedin Afegão. Operação Cyclone. Emerge entre as lideranças rebeldes o jovem milionário saudita Osama Bin Laden, cuja família compartilha negócios com os Bush, George e Walker.

A Arbusto Oil de Dábliu (Bush) foi fundada em 1997, dentre outros, por James R. Bath, cujo investimento na verdade representava os xeiques Salim Bin Laden e Khalid Bin Mahfouz“. (Greg Palast – A melhor democracia que o dinheiro pode comprar).

O governo afegão cai, os EUA ganham terreno. Washington e o Ocidente celebram os “guerreiros da liberdade“. Os soviéticos deixam o Afeganistão em 1989. “Um ano depois, sauditas de túnicas brancas começaram a aparecer nas capitais das províncias em vilas afegãs devastadas. Eles se proclamaram emires. Compraram a lealdade de líderes das vilas e começaram a construir pequenos impérios. Eram emissários de uma nova força no mundo que viria a ser chamada de Al Qaeda“. (Tim Weiner – Legado de Cinzas, uma história da CIA).

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Ronald Reagan recebe os talibãs no salão oval da Casa Branca, 1983

Serviço concluído, Bin Laden volta à caverna, de onde só sairia em 11 de setembro de 2001.

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Iraque, 1980. Com dinheiro e inteligência norte-americanos, o presidente Saddam Hussein usa armas químicas contra o vizinho Irã, que no ano anterior desmantelara uma rede de espionagem ianque, sitiando os espiões na embaixada local.

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Donald Rumsfeld, enviado da Casa Branca, e Saddam, 1983

Saddam manteve o governo iraniano ocupado por 8 anos. Porém, armado e tomado pela megalomania, quis aumentar sua produção de petróleo sem o consentimento dos padrinhos.

Os EUA querem guerra. Inventa-se a história das armas químicas. A massa acredita. A OTAN invade o Iraque, mata Saddam, dissolve suas forças armadas e policiais.

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Síria, 2011. Nação em rara e relativa paz no Oriente Médio. Estado laico, apesar do furor de sua população sunita, xiita, cristã, judaica. Um povo assentado sobre 2,5 bilhões de barris de petróleo, 100% estatal.

Mas o ocidente quer guerra, porque Bashar al-Assad é um ditador – apesar de presidir um regime parlamentarista, com eleições periódicas. A massa acredita. A Síria entra na lista das primaveras, as revoluções contemporâneas de laboratório.

Para armar os rebeldes, a OTAN conta com ajuda da Arábia Saudita. Esta sim, democracia autêntica, que corta a cabeça de opositores, açoita blogueiros e vítimas de estupro.

Unidos aos sauditas, Estados Unidos, França e Turquia financiam um exército de mercenários multinacional, constroem rede logística, doam-lhes armas e veículos, mesmo que clandestinamente. A eles juntam-se militares e policiais de Saddam, enxotados pelo novo governo fantoche instalado no Iraque. Adicione a este caldo combatentes da Al Qaeda, também produto norte-americano. Eis um novo califado no coração do Oriente Médio: o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Florescem as sementes plantadas por Estados Unidos e aliados.

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Síria, 2015. A Rússia pisa no jardim da OTAN. Quer evitar a queda do aliado al-Assad, manter suas bases militares na região, proteger o gasoduto que ligará o Irã ao Mediterrâneo, mantendo-o longe das petrolíferas ocidentais. Os russos mapeiam o contrabando de petróleo, a entrada de armas pela fronteira turca. Em duas semanas, atacam instalações do EI e devolvem cidades ao governo sírio. Fazem o que a OTAN, em sua falsa luta contra o EI, não conseguira em três anos.

A máscara cai. Neste 24 de novembro, a Turquia derruba um caça russo em território sírio. O apoio ao Estado Islâmico deixa de ser apenas logístico. Mais uma provocação, depois da golpe na Ucrânia, das sanções,  da Resolução 758.

A OTAN quer guerra porque não sobrevive sem ela. A guerra é a razão de sua existência, está no DNA de seus países-membros. A maior economia do ocidente movimenta, por ano, mais de US$ 600 bilhões em armas. R$ 2,4 trilhões. Meio PIB brasileiro.

A França, ora objeto de todas as comoções, gasta US$ 62 bi com guerra/ano. Em seu rastro de invasão e pilhagem, além da própria Síria, consta uma lista infinita: Haiti, Saint Martin, Guiana Francesa, Marrocos, Tunísia, Camarões, Argélia, Senegal, Costa do Marfim, Togo, Mali, Polinésia. O governo François Hollande diz ser vítima. A massa acredita.

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Para a maioria das pessoas, uma informação é verdadeira quando todos os meios de comunicação afirmam que ela o é; se a rádio, o jornal, a televisão e a internet divulgam a mesma coisa, nós a aceitamos porque, intuitivamente, a repetição serve como prova de veracidade. Mas a repetição não é uma demonstração, ela é uma repetição”. (Dênis de Moraes, Ignacio Ramonet e Pascual SerranoMídia, Poder e Contrapoder)

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