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Não é só perseguição ao PT, não é só o pré-sal. Periferia é periferia.

No fim dos 90, os EUA consolidam a Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), emendada e remendada para criminalizar suborno envolvendo companhias estadunidenses ou estrangeiras operando em solo ianque.

Mas num mercado globalizado, regras comuns a todos, como concorrer com empresas pós-graduadas em propina, como os conglomerados brasileiros?

A aurora do novo século revela um Brasil infiltrando-se nesse mercadão via megaempreiteiras, BNDES, Petrobras – esta última representando quase 15% do PIB nacional. E, historicamente, leis brasileiras jamais impediram a corrupção de florescer em nossos jardins. Obama nos vê como ameaça. É preciso chamar o Brasil na chincha.

Fomos, então, integrados à Cooperação Internacional – organização mundial de procuradores e polícias para combate ao crime organizado. Encabeçada pela Casa Branca, pois.

Conscientes ou não, os governos petistas aderiram à estratégia gringa, viabilizando lei anticorrupção própria, a primeira exclusivamente voltada ao tema.

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Enquanto Dilma assinava os papéis, a inteligência ianque buscava falhas em nossa cerca.

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Braço do império, a mídia nativa encampa o discurso anticorrupção. O telespectador torna-se jurista. Encabeçados pela Rede Globo, veículos de massa exibem manifestantes nas ruas pela derrubada da PEC 37, a que proibia procuradores de realizar investigações por conta própria. Desfile exótico, teleguiado.

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Colhendo frutos do suporte ideológico, os norte-americanos disponibilizam ao brasileiro um canal específico de caguetagem. O plano funciona.

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A dobradinha com a mídia, tanto quanto o ataque à classe política, integram a estratégia da Lava-jato. Assim aponta o juiz Sergio Moro no artigo Considerações sobre a Operação Mani Pulite – revista CEJ, nº 26, julho/setembro de 2004). Moro, treinado pelo Departamento de Estado Americano, adota a operação Mãos Limpas na Itália como norte, assinalando que a deslegitimação da classe política “foi essencial para a própria continuidade da operação mani pulite” (p.57), e que “a punição judicial de agentes públicos corruptos é sempre difícil, se não por outros motivos, então pela carga de prova exigida para alcançar a condenação em processo criminal. Nessa perspectiva, a opinião pública pode constituir um salutar substitutivo, tendo condições melhores de impor alguma espécie de punição a agentes públicos corruptos” (p.61).

Após Collor, Demóstenes, Barbosa, Ishii, a imprensa tem novo herói, enterrando o longínquo caso Banestado, investigado pelo próprio Moro.

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Mas além do magistrado, a Lava-jato traz de volta à luz outra figurinha carimbada: Alberto Youseff, doleiro-operador do esquema Banestado. Absolvido por Moro pós acordo de delação, permaneceu como coringa na manga do sistema. Era parte do plano que ele voltasse a delinquir.

No artigo, Moro cita um sine qua non da operação Mãos Limpas: “a integração europeia, que abriu os mercados italianos a empresas de outros países europeus, elevando os receios de que os italianos não poderiam, com os custos da corrupção, competir em igualdade de condições com seus novos concorrentes” (p.57). Eis o cerne. A Lava-jato é uma das jogadas globais do império norte-americano para salvar sua economia em débâcle, montando um aparato jurídico-midiático para romper o cerco brasileiro ao redor do lucrativo setor de infraestrutura. A operação põe as empresas à mercê das cortes estadunidenses, abrindo aos gringos um mercado bilionário, dentro e fora do Brasil, antes dominado por conglomerados brasileiros via suborno.

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O golpe na economia nacional e o desgaste da classe política mergulham o país numa ingovernabilidade que reverbera nos parceiros de Mercosul, de BRICS. O caos traz de volta ao planalto velhos aliados do império. A roda da história dá novo giro. Os ventos do norte movem, sim, moinhos. E balançam a forca.

 

 

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