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Monthly Archives: abril 2019

“O sujeito fica abobado quando se depara com uma conspiração tão monstruosa, que não consegue acreditar que ela existiu”. J. Edgar Hoover – Elks Magazine, 1956.

Berlim, 1933
Parlamento alemão incendiado. Acusado pela justiça: Marius van der Lubbe, holandês membro do Partido Comunista. Julgado, foi condenado à morte. Hitler usou o incêndio para editar decreto “pela Proteção do Povo e do Estado (…) contra os atos de violência dos comunistas”, suspendendo liberdades individuais e civis.
Doze anos depois, durante o julgamento de Nuremberg, o general Franz Halder recordou Goering: “A única pessoa que sabe o que realmente se passou no Reichstag sou eu, pois coloquei fogo lá”. Ainda em Nuremberg, peritos mostraram que o fogo fora ateado com considerável quantidade de gasolina e substâncias químicas. Um homem só não poderia tê-lo iniciado.

Rio, 1937
O Exército comunica a descoberta de um plano para derrubar Getúlio Vargas. Documentos apreendidos pelos militares continham estratégias para cooptar operários e estudantes, libertar presos políticos, queimar casas e prédios públicos, assassinar autoridades civis e militares que se opusessem ao golpe. Decreta-se Estado de Guerra, suspende-se direitos constitucionais. Conspiradores são presos.
Oito anos depois, sem conseguir sustentar a versão do golpe, o general Góes Monteiro confessou: tal plano era de autoria militar, escrito pelo capitão Olímpio Mourão Filho, por determinação de Plínio Salgado.

Katyn, 1940
O governo soviético informa a morte de 22 mil poloneses, entre militares e civis, executados na floresta de Katyn, Rússia, pelo exército alemão. No ano seguinte, Josif Stalin declararia guerra ao Reich.
Em 1991, a Federação Russa apresentou documentos da polícia secreta soviética: os assassinatos foram decididos e executados pelo politburo de Stalin.

Europa, 1946
Tentando escapar do holocausto europeu, judeus lotam navios rumo à Palestina. As embarcações são bombardeadas. Os ataques são atribuídos a um grupo terrorista chamado ‘Defensores da Palestina Árabe’. Em 2010, o historiador Andrew Roberts publica MI6: The History of the Secret Intelligence Service 1909-1949. Nele, documentos do serviço secreto britânico detalham o planejamento dos ataques pelo Reino Unido. Os ‘Defensores da Palestina’ nunca existiram.

Guatemala, anos 40
Epidemia de sífilis na Guatemala de Juan José Arévalo, autor de reformas no país. Entre elas, a agrária. Em 2010, documentos encontrados na Universidade de Wellesley mostram que os vírus foram transmitidos por médicos do governo norte-americano, por inoculação direta ou usando prostitutas infectadas.

Golfo de Tonkin, 1964
Após entrar em águas vietnamitas, o destroier norte-americano USS Maddox foi atacado por torpedeiros locais. Escapou sem um arranhão, salvo pela força aérea ianque. Em resposta, os Estados Unidos declararam guerra ao Vietnã, iniciando o bombardeio a Hanoi. O ataque durou 18 anos, matando mais de 1 milhão de vietnamitas.
Mas antes que se declarasse cessar-fogo, Daniel Ellsberg, analista do Pentágono, entregaria aos jornais da casa os Pentagon Papers. Os documentos mostravam que os norte-americanos participavam de ações clandestinas contra o Vietnã desde 1954 e que o ataque ao Maddox não existiu.

Europa, anos 70
Atentados terroristas organizados por comunistas estouram por toda europa ocidental, empurrando os países para os braços da OTAN. Mortes em Milão, Bolonha, Madrid, Brabant, Munique. Em depoimento a um tribunal italiano, o general Gianadelio Maletti, ex-líder da contra-informação, revelou ter descoberto que explosivos usados nos atentados foram fornecidos pela Alemanha a um grupo terrorista italiano de direita, com suporte norte-americano. As operações stay-behind ficaram conhecidas como Gladio.

Estados Unidos da América, 2001
Envelopes contaminados com antraz são enviados a senadores, jornais e emissoras de TV, trazendo ameaças escritas por terroristas islâmicos ao destinatário. Na semana seguinte, o congresso aprovou o Patriot Act, autorizando agências governamentais a monitorar comunicações privadas sem prévia autorização judicial.
Nove anos mais tarde, o FBI admitiu que os envelopes foram enviados por Bruce Ivins, cientista militar a serviço do governo.

Venezuela, 2018
Caminhões transportando ajuda humanitária a venezuelanos famintos foram queimados na fronteira com a Colômbia. A imprensa informa que as forças de segurança leais ao presidente Nicolás Maduro foram responsáveis por incendiar os caminhões. Os EUA anunciam mais sanções contra a Venezuela.

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